quarta-feira, 5 de março de 2014

20140305 Saber da Natureza

Saber da Natureza


_ Que tenho em mãos? Sonhos.

_ Mas voce não quer...

_ Trocar sonhos por ilusões? Jamais. Sonhos tem base no chão e ilusões são fruto do AutoEngano.

_ Mas...

_ Nem gente e nem ideias fora de minha cabeça. O novo busco eu, e pouco a pouco vou me acertando dos meus erros, me reordeno e refaço meu caminhar.

_ Assim? Sozinho?

_ Aprendi de ver outros tantos escritores mortos. Pois compromisso tem um custo, muitas vezes a vida. No barato saiu para mim: solidão e ostracismo.


_ Solidão? E eu?

_ Amizade não é pensar junto, capaz de dialogar. Rebater em amplo patamar.

_ Mas conversamos.

_ E muito conversamos mas me questionas nunca, e não sou teu professor e jamais serei teu guru ou guru de alguém.

_ Aprendo contigo.

_ Não. Não comigo. Com os livros em tuas mãos, e nem todos eles indicados por mim. Te sei capaz, e cada vez mais, de andar sobre os próprios pés.

_ Puxa!


_ "Quando eu era criança pensava como criança, agora que sou adulto...". Não é assim?

_ Paulo de Tarso?

_ Ves como já sabes dos teus caminhos? Deixa teu cavalo te levar pelas rotas todas. Nós não as conhecemos. Todas não, apenas algumas...

_ Pois!

_ Da natureza aprendemos muito ao abrir-lhe os olhos na sede de observação.

_ Então é isso?

_ És livre como sempre fostes. Toma teu cavalo e lhe confia os caminhos. Dia virá de nova encruzilhada em nossas vidas. Os dois com alforja mais leve e muito mais a conversar. Vai meu filho, todo um sertão se abre aos teus olhos de observador.

_ Sigo sim amigo, paz e saúde em teu trotar.

_ Paz e saúde! Confia sempre muito em ti, e no teu cavalo.



Paulo Cesar Fernandes

05  03  2014

Obs.: Texto escrito após assistir o filme "Sertão Veredas" baseado na obra de João Guimarães Rosa.

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