terça-feira, 12 de setembro de 2017

20170910 Carta ao poeta Paco Cutumay


Não mais na tua San Salvador irmão meu?
A bala ofendeu teu corpo
Pai e Mãe se foram de semelhantes balas
Balas covardes.


O mesmo ódio dos gorilas sacou aí, em tua nobre terra, centenas de vidas.
E como isto me dói aqui, na minha pobre terra.
São muitos os teus assemelhados a Oscar Romero.
Sem nome, sem cova, sem nada capaz de dizer de sua nobre vida.
A vida de Luta pela Vida.


A Paz hoje sacramentada é de ilusão construida.
Aí vão os "Maras"; as "Pandilhas" tantas; e os trens cruzando as terras rumo às fronteiras.


Não irmão meu. Foi tudo uma ilusão.
Nossa América Latina segue sendo roubada; segue colonial; saqueada; e o pior: segue sem democracia de verdade. Onde o povo fale e possa dizer do seu querer.


As carcomidas elites seguem no comando em todos os países, e a Venezuela teve o azar de ter petróleo. A água da sede dos gorilas. Pobre povo o latino-americano. Sempre à merce de gorilas de todos os tipos e quadrantes da terra.


E hoje, o Neo Liberalismo é a praga a nos roubar mais profundamente a Liberdade.
Liberdade Real, Vontade Popular. 
E sem Povo Livre não se pode chamar Democracia.


Democracia Real e Efetiva, bem o sabes meu irmão é aquela onde nós, o povo, dizemos com todas as letras NÃO às oligarquias seculares dos nossos países, os colocando em seu devido lugar: FORA DO PODER.


Meu Brasil, caro irmão
Sofre longa Ditadura Neo Liberal.

Pobre. Tropego. Nem mais o Carnaval anima.
Mas seguimos muitos pela JUSTIÇA lutando; pois, como disse nosso irmão e poeta Taiguara:
"A vida é LUTA!".


Guarda um lugar para mim, para juntos fazer algo.
Até breve, meu poeta, músico e amigo.


Paulo Cesar Fernandes

10/09/2017.


Nota.: 

Paco Cutumay foi um amigo poeta, músico, componente do Grupo Cutumay Camones de El Salvador. 
Tivemos a alegria de os hospedar e ciceronear em sua passagem pela Cidade de São Paulo.  

Na Avenida Paulista, foram muitos os momentos de riso, pelas tiradas alegres do grupo, principalmente tendo como foco a beleza da mulher paulistana. Também lhes trouxe impacto a arquitetura da cidade.

Possam Paco, seus pais e Edoardo estar num lugar muito bom do lado de lá da vida.

domingo, 10 de setembro de 2017

20170609 Hamburgo

Sonhei estar em Hamburgo
No cais da cidade
Entre luzes de casas noturnas
ZANZIBAR me chama atenção
Mais ainda
As meninas de vida veloz
Me chamam na minha língua
E com sotaque santissssta


Um sonho estranho e belo
Pois o medo não se fazia
E estava eu no meio 
Da Zona Portuária
Com todo respeito
De cada uma das pessoas


Me vejo todo risos
Por estar de volta
Ao tempo da molecagem
Na Zona Portuária de Santos
Voltava ver de alguma forma 
Os femininos corpos
Mulheres e travestis
Numa distante Alemanha
Ou num distante tempo


Numa Santos do passadfo.
Num Brasil não violento.



Paulo Cesar Fernandes.

09/06/2017.

20170830 Positividade da Esperança

A linha sutil
Entre ilusão e sonho
A mesma linha
A dividir homens
Pragmáticos materialistas
Sonhadores idealistas


Onde se situa afinal
A tal da ilusão?
Respondo num ZAZ:
Na Materialidade
Pois o perene fica sempre
Na abstração
Na interior espiritualidade


A linha se concretiza
Dividindo o mundo
Materialistas de um lado
E Espiritualistas emergentes
E ganhando firmes
O espaço nesta Terra


Não mais se esconde
A verdade do espírito
A interior luminosidade
Pode se alçar livre
Pelas trevas do mundo
Mudando aqui e acolá
Até a Vitória Final.


Paulo Cesar Fernandes

30/08/2017.

20170901 Pompéia

20170901 Pompéia

Eu e tu
Um café
Uma água
Uma fala distante de nós
Tu.
Um medo, um muro
Uma barreira.


Fugimos pelas calçadas
Dos temas políticos


Nada de nós
Nada de verdade
Nada do coração
Vazio descuido
No cuidado 
De se desconhecer
E não ser


Nos fizemos Entes
Coisas
Não humanos seres
Em busca de algo
Na alma do outro


Perdi minha essência
Ou teu vazio me oprimiu
Nada sei, apenas pensei
Em ser correto
Vencer teus medos
E avançar na minha rota
E não pode ser outra:
Prazer e Felicidade.


Então...
Adeus!


Paulo Cesar Fernandes.

01/09/2017.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

20170907 Amilcar Cabral BIOGRAFIA

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre. 
*
Amílcar Lopes Cabral 
(Bafatá, Guiné-Bissau, 12 de setembro de 1924 — Conacri, 20 de janeiro de 1973)
Foi um político, agrônomo e teórico marxista da Guiné-Bissau e de Cabo Verde.
*
*** Biografia
*
Filho de Juvenal Lopes Cabral (cabo-verdiano) e de Iva Pinhel Évora (guineense de ascendência cabo-verdiana), aos oito anos de idade, sua família mudou-se para Cabo Verde, estabelecendo-se em Santa Catarina (ilha de Santiago), que passou a ser a cidade de sua 
infância, onde completou o ensino primário. De seguida mudou com a mãe os irmãos para Mindelo, São Vicente, onde veio a terminar o curso liceal em 1943. 
*
Como apontado por Patrícia Villen, sua adolescência remete a um período de intensa seca e fome na ilha, nos ano 40, por exemplo, essa crise provocou a morte de 50 mil pessoas, além da imigração em massa de cabo-verdianos. No ano seguinte, mudou-se para a cidade de Praia, na Ilha de Santiago, e começou a trabalhar na Imprensa Nacional, mas só por um ano pois, tendo conseguido uma bolsa de estudos, no ano de 1945 ingressou no Instituto Superior de Agronomia, em Lisboa. Único estudante negro de sua turma, Cabral logo se envolve em reuniões de grupos antifascistas e, ao lado de outros alunos vindos da África, tais como Mário de Andrade, Agostinho Neto e Marcelino dos Santos "conhece vetores culturais da reafricanização dos espíritos do movimento da negritude dirigido por Léopold Sédar Senghor". Após graduar-se 
em 1950, trabalhou por dois anos na Estação Agronómica de Santarém.
*
Contratado pelo Ministério do Ultramar como adjunto dos Serviços Agrícolas e Florestais da Guiné, regressou a Bissau em 1952. Iniciou seu trabalho na granja experimental de Pessube percorrendo grande parte do país, de porta em porta, durante o Recenseamento Agrícola de 1953 adquirindo um conhecimento profundo da realidade social vigente. Suas atividades políticas, como a criação da primeira a Associação Esportiva, Recreativa e Cultural da 
Guiné, aberta tanto aos "assimilados" quanto aos indígenas, reservam-lhe a antipatia do Governador da colônia, Melo e Alvim, que o obriga a emigrar para Angola. Nesse país, une-se ao MPLA.
*
EM 1955 Cabral participa da Conferência de Bandung e toma conhecimento da questão afro-asiática. Em 1959 juntamente com Aristides Pereira, seu irmão Luís Cabral, Fernando Fortes, Júlio de Almeida e Elisée Turpin, funda o partido clandestino Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC). Em 3 de agosto de 1959, o partido teve participação na greve de trabalhadores do porto de Pidjiguiti, fortemente reprimida pelo 
governo colonial, resultando na morte de 50 manifestantes e no ferimento de outras centenas. 

Quatro anos mais tarde, o PAIGC sai da clandestinidade ao estabelecer uma delegação na cidade de Conacri, capital da República de Guiné-Cronacri. Em 23 de janeiro de 1963 tem 
início a luta armada contra a metrópole colonialista, com o ataque ao quartel de Tite, no sul da Guiné-Bissau, a partir de bases na Guiné-Conacri.
*
Centro Cultural Amílcar Cabral, em João Galego, em Cabo Verde
Em 1970, Amílcar Cabral, fazendo-se acompanhar de Agostinho Neto e Marcelino dos Santos, é recebido pelo Papa Paulo VI em audiência privada. Em 21 de novembro do mesmo ano, o 
Governador português da Guiné-Bissau determina o início da Operação Mar Verde, com a finalidade de capturar ou mesmo eliminar os líderes do PAIGC, então aquartelados em Conacri. 
A operação não teve sucesso.
*
Em 20 de janeiro de 1973, Amílcar Cabral é assassinado em Conacri, por dois membros de seu próprio partido. Amílcar Cabral profetizara seu fim, ao afirmar: "Se alguém me há de fazer mal, é quem está aqui entre nós. Ninguém mais pode estragar o PAIGC, só nós próprios." 

Aristides Pereira, substituiu-o na chefia do PAIGC. Após a morte de Cabral a luta armada se intensifica e a independência de Guiné-Bissau é proclamada unilateralmente em 24 de Setembro de 1973. Seu meio-irmão, Luís de Almeida Cabral, é nomeado o primeiro presidente do país.
*
*** Frases
*
"Perguntar-nos-ão se o colonialismo português não teve uma ação positiva na África. A justiça é sempre relativa. Para os africanos, que durante cinco séculos se opuseram à dominação colonial portuguesa, o colonialismo português é o inferno; e onde reina o mal, não há lugar para o bem". Amílcar Cabral. A arma da teoria.
*
"O nosso povo africano sabe muito bem que a serpente pode mudar de pele, mas é sempre uma serpente". Amílcar Cabral. Um povo que se liberta.
*
"Como sabe, nós temos uma longa caminhada juntamente com o povo português. Não foi decidido por nós, não foi decidido pelo povo português, foi decidido pelas circunstâncias históricas do tempo da Europa das Descobertas e pela classe de "antanho", como se diz em português antigo; mas é verdade, é isso! Há essa realidade concreta! Eu estou aqui falando português, como qualquer outro português, e infelizmente melhor do que centenas de milhares de portugueses que o Estado português tem deixado na ignorância e na miséria. Nós marchamos juntos e, além disso, no nosso povo, seja em Cabo Verde seja na Guiné, existe toda uma 
ligação de sangue, não só de história mas também de sangue, e fundamentalmente de cultura, com o povo de Portugal. [...] Essa nossa cultura também está influenciada pela cultura portuguesa e nós estamos prontos a aceitar todo o aspecto positivo da cultura dos outros."
*
"Nós, em princípio, o nosso problema não é o de nos desligarmos do povo português. Se porventura em Portugal houvesse um regime que estivesse disposto a construir não só o futuro e o bem-estar do povo de Portugal mas também o nosso, mas em pé de absoluta igualdade, quer dizer que o Presidente da República pudesse ser de Cabo Verde, da Guiné, como de Portugal, etc., que todas as funções estatais, administrativas, etc. fossem igualmente possíveis para 
toda a gente, nós não veríamos nenhuma necessidade de estar a fazer a luta pela independência, porque todos já seriam independentes, num quadro humano muito mais largo e talvez muito mais eficaz do ponto de vista da História. [§] Mas infelizmente, como sabem, a coisa não é essa; o colonialismo português explorou o nosso povo da maneira mais bárbara e 
mais criminosa e quando reclamamos um direito de ser gente, nós mesmos, de sermos homens, parte da humanidade."
*
Mas nós nunca confundimos o "colonialismo português" com o "povo de Portugal", e temos feito tudo, na medida das nossas possibilidades, para preservar, apesar dos crimes cometidos pelos 
colonialistas portugueses, as possibilidades de uma cooperação eficaz com o povo de Portugal, numa base de independência, de igualdade de direitos e de reciprocidade de vantagens seja para o progresso da nossa terra, seja para o progresso do povo português. [§] 
O povo português está submetido há cerca de meio século a um regime que, pelas suas características, não pode ser deixado de ser chamado fascista. [§] A nossa luta é contra o colonialismo português. Nós somos povos africanos, ou um povo africano, lutando contra o colonialismo português, contra a dominação colonial portuguesa, mas não deixamos de ver a ligação que existe ente a luta antifascista e a luta anticolonialista.
*
Nós estamos absolutamente convencidos de que, se em Portugal se instalasse amanhã um governo que não fosse fascista, mas fosse democrático, progressista, reconhecedor dos direitos dos povos à autodeterminação e à independência, a nossa luta não teria razão de ser. Aí está a ligação íntima que pode existir entre a nossa luta e a luta antifascista em Portugal; mas também, vice-versa, estamos absolutamente convencidos de que, na medida em que os povos das colónias portuguesas avancem com a sua luta e se libertem totalmente de dominação colonial portuguesa, estarão contribuindo de uma maneira muito eficaz para a liquidação do regime fascista em Portugal. [...] Nós queremos entretanto exprimir claramente o seguinte: nós não confundimos a nossa luta, na nossa terra, com a luta do povo português; estão ligadas, mas nós, no interesse do nosso povo, combatemos contra o colonialismo português. Liquidar o fascismo em Portugal, se ele não se liquidar pela liquidação do colonialismo, isso é função dos próprios portugueses patriotas, que cada dia estão mais conscientes da necessidade de desenvolver a sua luta e de servir o melhor possível o seu povo."

===

Este último item teve um caráter premonitório,pois na Revolução dos Cravos, ocorrida em Abril de 1974, a primeira coisa feita pelo Novo Governo foi a Liberação das Colônias.

Até porque a vitória da Revolução dos Cravos se deu também pelo fato das baixas patentes do Exército português estarem em desacordo com os gastos inúteis nas colônias d'Africa.

A mim, Amilcar Cabral ensinou uma coisa vital para minha vida. Em uma de suas obras ele fala de "Suicídio de Classe". Diz ele que todo verdadeiro revolucionário deve fazer seu "Suicídio de classe". Isto significa matar o burguês que ainda vive dentro de si e se fazer povo como seu povo.

Parte desse suicídio eu já o tinha feito naturalmente. Me sentia mal nos ambientes burgueses a ponto de ter diarréia e de vomitar: Clube XV; Tênis Clube e Internacional. Onde fui levado pelas melhores pessoas quer conheci nesta face da terra. 

Mas eu passava mal, me sentia deslocado. UM peixe fora d'água.

A partir desse conceito pude entender ainda por que motivo eu e um outro amigo tínhamos notas menores que um terceiro cuja família tinha recursos financeiros mais amplos. Apesar de 
fazermos as lições juntos ao fim de cada dia. Apresentarmos os mesmos resultados. Na infância culpava eu minha letra feia. Segue feia até hoje. Mais tarde percebi que eu e A fazíamos parte de uma classe social, já B pertencia a outro patamar. Apenas isso poderia 
justificar a diferenciação nas notas.

Eu já tinha a vivência da diferenciação das classes sociais. Ao chegar à teoria apontada por Amilcar Cabral o mundo se iluminou.

Vejam lá se nos morros de Santos; na Zona Noroeste; nos bairros populares da Minha Cidade de Santos algum dia eu sinti vontade de vomitar ou tive diarréa. NUNCA. Eu estava junto ao meu 
elemento: o povo brasileiro.

E mesmo na Bolívia, nas feiras, junto ao povo nas conduções, eu nunca me senti deslocado.

Evidente fique aqui que ainda hoje devem existir elementos burgueses em mim. Não conseguimos acabar com o que é de nossa formação cultural por completo. Mas os valores da burguesia não 
são os meus valores: competição; consumo; busca de requinte; uma casa de praia e uma na montanha (vide Lula); estar nos lugares "badalados"; etc.

Eu olho para Pepe Mujica e nele vejo um verdadeiro revolucionário. A simplicidade e o despojamento marcam os capazes de mudar o mundo. É a isso quer me proponho: mudar a mim de forma profunda; e, na medida do possível, pelo exemplo, mudar o mundo ao meu redor.

Eu não interfiro na vida de ninguém. E não o faço por puro respeito. Cada qual deve saber por quais mares navegar. Mas estou sempre aberto a, mediante pedido, opinar sobre algo.

Junto a uma pessoa passando por um profundo momento de odr. Eu não vou falar nada para ela. 

Sento ao seu lado em silêncio. Me faço apenas presença. E se a pessoa quiser, sabe que poderá contar comigo. Todos nós temos fragilidades, mas todos nós temos uma intimidade a ser 
preservada.

Amilcar Cabral está entre os primeiros pensadores a me trazer luz à vida. Depois muitos outros a ele se somaram, a ainda hoje descubro novos elementos de luz na caminhada.

O fato é que eu busco. Estousempre insatisfeito. Não quero pensar dois anos da mesma forma. 

A dúvida deve ser meu elemento permanente do existir. Apenas ao lado dela poderei eu pensar 

em alguma forma de progresso.

PELA REVOLUÇÃO DOS NEURÔNIOS ! ! !

Salve Amilcar Cabral!
Salve Giorgio Gaber!
Salve Karl Marx!
Salve Enrico Malatesta!

Salve-mo-nos cada um de nós no seio da Ética!

Paulo Cesar Fernandes.

07/09/2017.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

20170829 Sal da terra

Vós sois o sal da terra



“Vós sois o sal da terra; ora, se o sal vier a ser insípido, como lhe restaurar o sabor? Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelos homens.” (Mateus 5.13)




Jesus se utiliza de um elemento muito importante do cotidiano da vida, da cozinha para se dirigir aos seus discípulos e discípulas: o sal.  Ele era um elemento caro, precioso, do comércio, da compra e da troca. O sal também era usado em rituais cúlticos. O sal era e é um elemento muito importante para a conservação dos alimentos. O sal era e ainda hoje é fundamental para a preparação de uma boa alimentação. Logicamente, precisa ser utilizado na dose certa.  Ele dá sabor aos alimentos. Aqui, no texto em apreço, acreditamos que Jesus se utiliza do elemento do sal, referindo-se ao seu papel importante de dar sabor aos alimentos. É um ensino de Jesus que nasce do cotidiano da vida, da cozinha.

O sal é um elemento muito interessante, quando usado desaparece no meio dos alimentos, não sendo mais possível enxergá-lo, mas sim, somente se pode senti-lo através do sabor. Portanto, o papel do sal é ativo na sua função de dar sabor. Com o sal acontece um processo de transformação, de mudança. Se o sal não for usado, ele se torna insípido, sem sabor, ele perde a sua função. Como o próprio texto afirma: Para nada mais presta senão para, lançado fora, ser pisado pelas pessoas.

A metáfora do sal se refere aos discípulos e às discípulas de Jesus. Se no seguimento a Jesus, no discipulado, os discípulos e as discípulas não cumprirem com o seu papel de darem um sabor a este mundo, perdem, na verdade, o sentido de sua existência. O sabor que precisam dar a este mundo está relacionado diretamente com a busca do cumprimento do sermão do monte. Somente sendo sal da terra, também se é bem-aventurado. Jesus se utiliza do imperativo, no plural: Vós sois o sal da terra.

Fonte: https://www.cebi.org.br/2017/01/31/vos-sois-o-sal-da-terra-vos-sois-luz-do-mundo-mateus-5-13-16/
===

O Sal da Terra
               Luciano Ligabue

Yeee, yeeee


Somos a surpresa (yeee) por trás dos vidros escuros (yeeee)
Somos a risada no túnel dos horrores
Somos a promessa (yeee) que não custa nada (yeeee)
Somos a clareza que muita gente queria


Somos o capitão que faz reverência a vocês
Somos a menina bem no meio da reverência
Somos os novos truques para os mágicos velhos
Somos as meninas na sala dos espelhos


Somos a bunda na cadeira
O drama, a comédia
O remédio fácil
Somos a arrogância que não tem medo
Somos aqueles a que não tem que pedir nota fiscal


Somos, yeee, yeeee
O sal da terra
Somos, yeee, yeeee
O sal da terra


Somos a opinião na folha de pagamento
Somos as reuniões aqui nos fundos da loja
Somos as figuras por trás das figuras
Somos a vergonha que fingimos sentir


Somos a bunda na cadeira
A farsa, a tragédia
A fortaleza sitiada
Somos a vitória da tradição
Somos mais espertos que os mais espertos, é disso que se morre


Somos, yeee, yeeee
O sal da terra
Somos, yeee, yeeee
O sal da terra


Somos a frieza que não tem medo
Somos aquele tapete estendido sobre o lixo
Somos a (caneta) Montblanc com a qual dou cabo de você
Somos a risada no túnel dos horrores


Somos, yeee, yeeee
O sal da terra
Somos, yeee, yeeee
O sal da terra


Somos, yeee, yeeee
O sal da terra
Somos, yeee, yeeee
O sal da terra
Yeee, yeeee
Yeee, yeeee


===


Todos nós podemos e devemos ser o sal da terra.
Nunca perder o sabor da vida.
Nunca deixar de salgar, e de cobrar o que na verdade nosso é, como a vida, o saneamento, a escola e a saúde de boa qualidade.

Somos o sal da terra.

Tu e eu somos o sal da terra.

Paulo Cesar Fernandes.

Neste 29 de agosto de dois mil e dezessete.


https://www.youtube.com/watch?v=hwKuNgtzCNo        Ouça Ligabue no link.

domingo, 27 de agosto de 2017

20170827 Atos pensados (Movimento Ético

2017  08  27 

Atos pensados (Movimento Ético

Somos todos ingênuos como diz Giorgio Gaber, ou inocentes como prefiro eu dizer

Acreditamos nas pessoas, por suas roupas, suas belas palavras, ou discursos.

E ao fim de algum tempo sabemos se tratar de estelionatários. 

Quer seja na relação pessoal, ou no referente à política somos sempre enganados.

No Brasil ocorre uma efervescência de descoberta de bandidos. Em todos os modos de atuar nos defrontamos com bandidos, em todas as localidades e níveis governamentais. 

Quer no setor público, ou na iniciativa privada, topamos sempre com bandidos.

De um lado temos o comerciante falando mal do governo; mas ao fim da conversa se nega a fornecer a Nota Fiscal. tal qual estabelece a lei.

Nosso discurso deve, mesmo com perdas materiais, ser coerente com nossos atos. O teor turvo ou cristalino dos nossos pensamentos vão necessariamente desaguar nos nossos atos.

Pensar e agir são elementos interligados, fora disso temos a esquizofrenia ética.

Pela nossa saúde espiritual e física façamos tudo da melhor forma.

Afinal buscamos todos o Bem Viver, isto é, viver sempre no patamar do correto, do digno, do Ético.

Esse é o único Bem Viver aceitável.

E.... Não vem que não tem, conosco não tem acordo. Não tem partido.

Nem de Esquerda e nem de Direita.

Somos o Movimento Ético.

BASTA ! ! !

Some-se a nós.

Paulo César Fernandes.

27/08/2017.

Nota: À guisa de MANIFESTO INICIAL.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

20170824 Relendo Change is gonna come

Relendo Change is gonna come

A Change is Gonna Come (Sam Cooke

I was born by the river in a little tent
Oh and just like the river I been a runnin' ever since
It's been a long, a long time coming but I know
A change gon' come oh yes it will
It's been too hard living but I'm afraid to die
Cuz I don't know what's up there beyond the sky
It's been a long, a long time coming but I know
A change gon' come oh yes it will

I go to the movie, and I go downtown
Somebody keep tellin me "don't hang around"
It's been a long, a long time coming, but i know
A change gon' come oh yes it will

Then I go to my brother
And I say "brother, help me please" 
But he winds up knocking me
Back down on my knees
There been times that I thought I could last for long
Now think I'm able to carry on 
It's been a long, along time coming but I know
A change gon' come, oh yes it will

===

I was born by the river in a little tent

A condição de escassez de recursos é um elemento capaz de dar ao homem a criatividade.
É claro, ninguém busca a necessidade, mas é exatamente nessas condições difíceis da existência quando se dá a maioria das grandes sacadas.

A pobreza é parte do grande jogo do viver.


Oh and just like the river I been a runnin' ever since

E se não correr atrás da bola acaba perecendo.
O homem se reinventa nas dificuldades.
E se for inteligente não se revolta.
Toma a dor como um energético e segue adiante; mata a bola no peito e continua jogando.
Afinal a partida mal começou.


It's been a long, a long time coming but I know
A change gon' come oh yes it will

Ai daquele sem esperança.
Ai daquele cuja derrota é elemento interior.
Nada pode derrubar um homem.
Um dia se sentir mais fraco, tudo bem.
Uma boa noite de sono, um banho e tocar a vida.

Nunca se desespere, pois o jogo pode virar para o seu lado a qualquer momento.
Seu dia é Hoje. Seu momento Agora.


It's been too hard living but I'm afraid to die
Cuz I don't know what's up there beyond the sky

Questões existenciais sempre nos fazem melhorar.
Quem não pensa em si como um processo ambulante, nada sabe de toda a mágica da Vida.
Lembra sempre disso: A Vida é Mágica!


I go to the movie, and I go downtown
Somebody keep tellin me "don't hang around"

Não. Não ouça ninguém além de si mesmo.
Quando chegamos a patamares de consciência mais amplos nada e ninguém pode ou deve interferir na nossa jornada.
Afinal se trata da NOSSA JORNADA.



Then I go to my brother
And I say "brother, help me please" 
But he winds up knocking me
Back down on my knees

Mesmo quando o mundo é canalha conosco.
Avancemos!

Nada deve ou pode deter nosso progresso.
Somos sempre mais a cada dia.
Nada e ninguém pode nos diminuir.
Todos estamos no patamar da horizontalidade.

E cada qual tem uma potencialidade ausente no outro.
É na complementaridade o processo social.
Todos dependemos uns dos outros.

Pobre daquele capaz de se achar melhor que os outros.
A sua queda é certa e chegará brevemente.


There been times that I thought I could last for long
Now think I'm able to carry on 

Jamais diga não sou capaz.
A capacidade se forja pouco a pouco no transcurso da vida.
Hoje lhe parece impossível, mas meses depois rirá da dificuldade do presente.
Cada dia uma experiência, um desafio.
Nessa Mágica da Vida se efetiva o nosso progresso: material e espiritual.

===

Posso nem estar certo em tudo.
Mas estamos na Terra para compartilhar momentos.
E Aqui e Agora é assim que sinto essa bela canção ouvida
pela manhã na voz de David Clayton-Thomas.


Salve David!

Saúde e Paz a todas e todos.

Paulo Cesar.

Agosto/2017.

sábado, 5 de agosto de 2017

20170805 Vladimir Vysotsky (Teatro

Vladimir Vysotsky
Teatro



(Moscou, 25 de janeiro de 1938 — Ibid., 25 de julho de 1980) foi um cantor, compositor, poeta e ator soviético (russo) de ascendência judaica, cuja carreira teve um efeito imenso e duradouro sobre a cultura russa. 

Embora conhecido como um cantor e compositor, ele também era um ator de destaque no teatro e de talento multifacetado. Vladimir Vysotsky é frequentemente descrito pela palavra "bardo" (бард), que adquiriu um significado especial na União Soviética. 

Vysotsky nunca entusiasmou-se com este termo, no entanto. 
Considerava-se sobretudo um ator e escritor, em vez de um cantor, e uma vez comentou: "Eu não pertenço ao que as pessoas chamam de bardos e menestréis ou o que quer que seja." 

Apesar de seu trabalho ser ignorado pelo estabelecimento oficial soviético cultural, ele alcançou a fama notável durante sua vida, e até hoje exerce influência significativa sobre muitos dos músicos populares da Rússia e dos atores que desejam imitar seu status de ícone.

*
*** Biografia
*
Vladimir Vysotsky nasceu em Moscou. Seu pai, Semyon 
Vladimirovich (1916–1997), judeu, nascido em Kiev, foi um 
coronel do exército. Sua mãe, Nina Maksimovna, (née Seryogina, 1912–2003), era uma tradutora do alemão para o russo. 
*
A família Vysotsky vivia em um apartamento comunitário em 
Moscou, com sérias dificuldades financeiras. Quando Vladimir tinha somente dez meses, sua mãe teve que retornar ao trabalho no escritório de transcrições do Ministério de Geodésia e Cartografia, ajudando a disponibilizar mapas alemães aos militares soviéticos, podendo assim ajudar seu marido no sustento da família.
*
A extraordinária inclinação teatral de Vladimir já era óbvia desde tenra idade, provavelmente por influência de sua mãe, uma entusiasta de Teatro. Seus pais se divorciaram quando tinha oito anos de idade, sendo ele então criado por seu pai e sua madrasta de descendência armênia, a quem ele chamava de "tia" Yevgenia. 
*
Passou dois anos de sua infância vivendo com o pai e a madrasta em uma base militar em Eberswalde na parte da Alemanha ocupada pela União Soviética após a Segunda Guerra Mundial (mais tarde Alemanha Oriental).
*
Em 1955, Vladimir matriculou-se no Instituto de Engenharia Civil de Moscou, mas desistiu depois de apenas um semestre para tentar uma carreira de ator. Em 1959, começou a atuar no Teatro Aleksandr Pushkin onde ele teve na maioria das vezes pequenos papéis.
*
Em 1964, o diretor Yuri Liubímov, que se tornou mentor e amigo íntimo de Vysotsky, convidou-o para integrar o popular Teatro de Drama e Comédia de Moscou em Taganka. Lá, Vysotsky foi destaque com seus papéis principais em Hamlet, de Shakespeare, e A Vida de Galileu , de Brecht. 
*
O companhia do Teatro Taganka estava sujeita a frequente 
perseguição estatal por sua presumível impureza étnica e 
deslealdade política,[carece de fontes] que inspirou Vysotsky identificar-se como um "Yid sujo" (жид пархатый). 

Na mesma época, ele também apareceu em vários filmes, onde 
eram executadas algumas de suas canções, por exemplo, Vertikal ( "A Vertical") , um filme sobre alpinismo. 
*
A maioria dos trabalhos de Vysotsky é a partir desse período, entretanto, não obteve o reconhecimento oficial e, portanto, nenhum contrato da Melodiya, a monopolista indústria fonográfica soviética. No entanto, sua popularidade continuou a crescer, já que, com o advento dos gravadores de fita portáteis na União Soviética, sua música tornou-se disponível para as massas sob a forma de 
reproduções de gravações de áudio caseiras, posteriormente, 
em fitas cassete. Tornou-se conhecido por seu original estilo de cantar e por suas letras, que apresentavam o comentário social e político no jargão de rua, muitas vezes bem-humorado. Suas letras eram entoadas por milhões de pessoas na União Soviética, em todos os cantos do país, e suas canções eram cantadas em festas caseiras e shows amadores.
*
*** Relacionamentos
*
Sua primeira esposa foi Iza Zhukova, em 1961 conheceu sua 
segunda esposa, Ludmilla Abramova, com quem se casou em teve dois filhos, Arkady e Nikita. Enquanto estava casado com Ludmilla Abramova, Vysotsky teve uma amante, Tatyana Ivanenko, e mais tarde, em 1967, se apaixonou por Marina Vlady, uma atriz francesa com antepasados russos, que naquele momento trabalhava na Mosfilm em co-produção franco-soviética. Vlady tinha sido casada e tinha três filhos, enquanto Vysotsky tinha dois.Seu amor foi 
apaixonado e impulsivo, alimentado pelo exotismo de Vlady, uma francesa na URSS e por a popularidade incomparável de Vysotsky em seu país. Se casaram em 1969.
*
Durante dez anos mantiveram um relacionamento a distância, com Vlady trabalhando na França, mas procurando passar mais tempo em Moscou, enquanto os amigos de Vysotsky usavam de sua influência para ajudá-lo a conseguir sair do país e estar com sua mulher. Vlady finalmente entrou para Partido Comunista da França, o que lhe outorgou um visto ilimitado para entrar e sair da União Soviética, e também brindou a Vysotsky com uma certa imunidade contra a perseguição do governo, já cansado de sua poesia anti-soviética e sua popularidade com as massas.

*
*** Morte
*
Usuário de drogas e alcoólatra, Vysotsky faleceu em Moscou, 
durante as Olimpíadas de 1980 que aconteciam na cidade. Sua morte não foi divulgada pelos meios oficiais, porém a peça que ele apresentava no teatro local foi cancelada e a notícia rapidamente se espalhou. Em 28 de julho seu corpo foi exposto no Teatro Taganka. Depois de um velório que envolveu uma grande massa de pessoas, foi sepultado no Cemitério Vagankovo. A presenças de público nos Jogos caiu bastante neste dia, já que grande número de espectadores preferiu acompanhar o funeral. Dezenas de milhares de pessoas se alinharam pelas ruas para conseguir ter uma visão de seu caixão.
*****************************************************

quinta-feira, 27 de julho de 2017

20170727 Que trem é esse?

20170727 
Que trem é esse?


Muito à moda mineira eu digo isso.
Que coisa é essa chamada vida?
E eu voltava de São Vicente no universo das músicas, e Finardi diz a palavra "treno" = trem.

PÁ! As músicas se apagaram e a ideia cresceu.
Parei. Registrei. E deu nisso.

Dizem algumas pessoas que o FACE é o universo do vazio.
Eu sigo apostando na Humanidade, e vou lançando minhas sementes.

"Uma manhã o semeador saiu a semear..." disse Jesus de Nazaré.
Algumas sementes caíram entre pedras secas. Nada produziram.
No entanto algumas sementes caíram em boa terra, geraram frondosas árvores, produtoras de bons frutos.

===

Que Trem é esse?


O Trem da Vida
Lento
De estação em estação
Porta todos nós 
Ao fim da linha


Quantas estações ainda
Ninguém pode saber
É a grande incógnita do tempo
Na magia do viver


E segue o Trem
Com Força num trecho
Lentidão na subida
Do duro progresso



Mas vamos todos
No Trem da Vida
Hoje melhor que Ontem
Avançando...


Construindo a História
De cada qual
E de toda a Humanidade.


Paulo Cesar Fernandes
27/07/2017.


sábado, 1 de julho de 2017

Rev. Espírita 1869 Março Rossini



Um incentivo ao progresso e à evolução. Para nós, aqui no início da escalada, pode nos parecer fantasioso. Mas, paremos a olhar o movimento das nuvens, talvez consigamos ter, uma tênue 
percepção do mostrado, ou dito por Rossini. [PC]












A MÚSICA E AS HARMONIAS CELESTES.

(Paris, grupo Desliens, 5 de janeiro de I869. - 
Médium Sr. Desliens.)

Tendes razão, senhores, de me lembrar minha promessa, porque o tempo, que passa tão rapidamente no mundo do espaço, tem minutos eternos para aquele que sofre sob o aperto da prova! Há alguns dias, algumas semanas, eu contava como vós; cada dia
acrescentava toda uma série de vicissitudes às vicissitudes já suportadas, e a taça ia se enchendo piano, piano.


Ah! vós não sabeis o quanto um elogio de grande homem é pesado para carregar! Não desejeis a glória; não sejais conhecidos; sede úteis. A popularidade tem os seus espinhos, e, mais de uma vez, me encontrei pisado pelas carícias muito brutais da multidão.


Hoje, a fumaça do incenso não me embriaga mais. Eu pairo sobre as mesquinharias do passado, e é um horizonte sem limite que se estende diante de minha insaciável curiosidade. Também, as horas caem por grupos na ampulheta secular, e sempre procuro, sempre estudo, sem jamais contar o tempo escoado.


Sim, eu vos prometi; mas quem pode se gabar de ter uma promessa, quando os elementos necessários para cumpri-la pertencem ao futuro? O poderoso do mundo, ainda sob o sopro das adulações dos cortesões, pode querer mitigar o problema corpo a corpo; mas não era mais de uma luta factícia que se tratava aqui; não havia bravos, barulhentas aclamações para me encorajar e ocultar a minha fraqueza. Era, e é ainda a um trabalho sobre-humano que ataquei; é contra ele que luto sempre, e se espero dele triunfar, não posso no entanto dissimular o meu esgotamento. Estou abatido... agoniado!... repouso antes de explorar de novo; mas, se hoje não posso vos falar do que será o futuro, saberei talvez apreciar o presente: ser crítico, depois ter sido criticado. Vós me julgareis, e me aprovareis se eu for justo, o que tentarei fazer evitando as personalidades.


Por que tantos músicos e tão poucos artistas? tantos compositores, e tão poucas de verdades musicais? Ai de mim! é que não é, como se acredita, da imaginação que a arte pode nascer; não há outro senhor e outro criador senão a verdade. Sem ela, nada é, ou não é senão uma arte de contrabando, de imitação, da contrafação. O pintor pode iludir e mostrar o branco, onde ele não colocou senão uma mistura de cores sem nome; as oposições de nuanças criam uma aparência, e foi assim que Horace Vernet, por exemplo, pôde fazer parecer de um branco brilhante um magnífico cavalo baio.


Mas a nota não tem senão um som. O encadeamento dos sons não produz uma harmonia, uma verdade, senão se as ondas sonoras se fizerem o eco de uma outra verdade. Para ser músico, não basta mais alinhar as notas sobre uma pauta, de maneira a conservar a justeza das relações musicais; somente assim se consegue produzir ruídos agradáveis; mas é o sentimento que nasce sob a pena do verdadeiro artista, é ele que canta, que chora, que ri... ele assobia na folhagem com o vento agitado; ele pula com a vaga espumante; ele ruge com o tigre furioso!... Mas para dar uma alma à música, para fazê-la chorar, rir, uivar, é preciso em si mesmo ter sentido estes diferentes sentimento,de dores, de alegria, de cólera!


É o riso nos lábios e a incredulidade no coração que personificareis um mártir cristão? Será um cético de amor que fará um Romeu, uma Julieta? É um boêmio negligente que criaria a Margarida de Fausto? Não! É preciso a paixão inteira àquele que faz vibrar a paixão!... E eis porque, quando se enegrece tantas folhas, as obras são tão raras e as verdades excepcionais: é que não se crê, é que a alma não vibra. O som que se ouve é o do ouro que tine, do vinho que crepita!... A inspiração é a mulher que se compõe uma beleza mentirosa; e, como não se possui senão os defeitos e as virtudes maquilados, não se produz senão um folheado, senão uma maquilagem musical. Raspai a superfície, e logo tereis encontrado o calhau.

ROSSINI.



(17 de janeiro de 1869. - Médium, Sr. Nivard.)


O silêncio que guardei sobre a pergunta que o Mestre da Doutrina Espírita me dirigiu foi explicado. Era conveniente, antes de abordar esse difícil assunto, me recolher, me lembrar, e condensar os elementos que estavam sob minha mão. Eu não tinha que estudar a música, somente tinha que classificar os argumentos com método, a fim de apresentar um resumo capaz de dar a idéia de minha concepção sobre a harmonia. O trabalho, que não fiz sem dificuldade, está terminado, e estou pronto para submetê-lo à
apreciação dos espíritas.


A harmonia é difícil de definir; freqüentemente é confundida com a música, com os sons, resultante de um arranjo de notas, e das vibrações de instrumentos reproduzindo esse arranjo. Mas a harmonia não é isto, não mais do que a chama não é a luz. A chama resulta da combinação de dois gases; ela é tangível; a luz que ela projeta é um efeito dessa combinação, e não a própria chama: ela não é tangível. Aqui, o efeito é superior à causa. Assim o é na harmonia; ela resulta de um arranjo musical, é um efeito que é
igualmente superior à sua causa: a causa é brutal e tangível; o efeito é sutil e não é tangível.


Pode-se conceber a luz sem chama e compreende-se a harmonia sem música. A alma está apta para perceber a harmonia fora de todo concurso fora de instrumentação, como ela está apta a ver a luz fora de todo concurso de combinações materiais. A luz é um sentido íntimo que a alma possui; quanto mais esse sentido está desenvolvido, melhor ela percebe a luz. A harmonia é igualmente um sentido intimo da alma: ela é percebida em razão do desenvolvimento desse sentido. Fora do mundo material, quer dizer, fora das causas tangíveis, a luz e a harmonia são de essência divina; elas são possuídas em razão dos esforços que se fez para adquiri-las. Se eu comparo a luz e a harmonia, é para melhor me fazer compreender, e também porque essas duas sublimes alegrias da alma são filhas de Deus, e, por conseqüência, são irmãs.


A harmonia do espaço é tão complexa, ela tem tantos graus que conheço, e muito mais ainda que me estão ocultos no éter infinito, que aquele que está colocado a uma certa altura de percepção, é como tomado de admiração contemplando essas harmonias diversas, que constituiriam, se estivessem reunidas, a mais insuportável cacofonia; ao passo que, ao contrário, percebidas separadamente, elas constituem a harmonia particular a cada grau. Essas harmonias são elementares e grosseiras nos graus inferiores; elas levam ao êxtase nos graus superiores. Tal harmonia que ofende um Espírito de percepções sutis arrebatam um Espírito de percepções grosseiras; e, quando é dado ao Espírito inferior se deleitar nas delícias das harmonias superiores, o êxtase o toma e a prece entra nele; o arrebatamento o leva às esferas elevadas do mundo moral; ele vive de uma vida superior à sua e gostaria de continuar a viver sempre assim. Mas,quando a harmonia cessa de penetrá-lo, ele desperta, ou, querendo-se, ele adormece; em todos os casos, retorna à realidade de sua situação, e nos lamentos que deixa escapar por ter descido, se exala uma prece ao Eterno, para pedir a força de revigorar-se. É para ele um grande motivo de emulação.



Não tentarei dar a explicação dos efeitos musicais que o Espírito produz agindo sobre o éter; o que é certo é que o Espírito produz os sons que quer, e que não pode querer o que não sabe. Ora, pois, aquele que compreende muito, que tem em si a harmonia, que dela está saturado, que goza ele mesmo de seu sentido íntimo, daquilo nada impalpável, dessa abstração que é a concepção da harmonia, age quando quer sobre o fluido universal que, instrumento fiel, reproduz o que o Espírito concebe e quer. O éter vibra sob a ação da vontade do Espírito; a harmonia que este último traz em si se concretiza, por assim dizer; ela se exala doce e suave como o perfume da violeta, ou ela ruge como a tempestade, ou ela brilha como o raio, ou ela se lamenta como a brisa; ela é rápida como o relâmpago, ou lenta como a nuvem; quebrada como um soluço, ou unida como uma relva; é descabelada como uma catarata, ou calma como um lago; ela murmura como um riacho ou estoura como uma torrente. Ora tem a aspereza agreste das montanhas e ora a frescura de um oásis; ela é alternativamente triste e melancólica como a noite, feliz e alegre como o dia; é caprichosa como a criança, consoladora como a mãe e protetora como o pai; ela é desordenada como a paixão, límpida como o amor, e grandiosa como a Natureza. Quando ela está neste último termo, se confunde com a prece, glorifica a Deus, eleva ao arrebatamento aquele mesmo que a produz ou a concebe.



Ó comparação! Comparação! Por que é preciso ser obrigado te empregar! Porque é preciso dobrar-se às necessidades degradantes e emprestar, à natureza tangível, imagens grosseiras para fazer conceber a sublime harmonia na qual o Espírito se deleita.
E ainda, apesar das comparações, não se pode fazer compreender esta abstração que é um sentimento quando ela é causa, e uma sensação quando se torna efeito.


O Espírito que tem o sentimento da harmonia é como o Espírito que tem a aquisição intelectual; eles gozam constantemente, um e o outro, da propriedade inalienável que acumularam. O Espírito inteligente, que ensina sua ciência àqueles que ignoram, sente a
felicidade de ensinar, porque sabe que faz felizes aqueles que ele instrui; o Espírito que faz ressoar o éter dos acordes da harmonia que está nele, sente a felicidade de ver satisfeitos aqueles que o escutam.


A harmonia, a ciência e a virtude são as três grandes concepções do Espírito: a primeira o arrebata, a segunda o esclarece, a terceira o educa. Possuídas em sua plenitude, elas se confundem e constituem a pureza. Ó Espíritos puros que as contendes! descei às nossas trevas e iluminai a nossa marcha; mostrai-nos o caminho que haveis tomado a fim de que sigamos os vossos rastros!


E quando penso que esses Espíritos, dos quais posso compreender a existência, são seres finitos, átomos em face do Senhor universal e eterno, minha razão fica confundida pensando na grandeza de Deus, e da felicidade infinita que ele goza em si mesmo, pelo único fato de sua pureza infinita, porque tudo o que a criatura adquire não é senão uma parcela que emana do Criador. Ora, se a parcela chega a fascinar pela vontade, a cativar e arrebatar pela suavidade, a resplandecer pela virtude, que deve, pois, produzir a fonte eterna e infinita de onde ela é tirada? Se o Espírito, ser criado, chega a haurir em sua pureza tanta felicidade, que ideia deve-se ter daquela que o Criador haure em sua pureza absoluta? Eterno problema!


O compositor que concebe a harmonia, a traduz na grosseira linguagem grosseira chamada a música; concretiza a sua ideia, escreve-a. O artista estuda a forma e pega o instrumento que deve lhe permitir exprimir a ideia. O ar posto em movimento pelo
instrumento, leva-a ao ouvido que a transmite à alma do ouvinte. Mas o compositor foi impotente para exprimir inteiramente a harmonia que concebia, por falta de uma linguagem suficiente; o executante, a seu turno, não compreendeu toda a ideia escrita, e o instrumento indócil do qual se serve não lhe permite traduzir tudo o que compreendeu. O ouvido é ferido pelo ar grosseiro que o cerca, e a alma recebe, enfim, por um órgão rebelde, a horrível tradução da ideia eclodida na alma do maestro. A ideia do maestro era seu sentimento íntimo; embora deturpada pelos agentes da instrumentação e da percepção, no entanto, ela produz sensações naqueles que os ouvem traduzir; essas sensações são a harmonia. A música as produziu: elas são os efeitos desta última. A música é posta a serviço do sentimento para produzir a sensação. O sentimento no compositor é a harmonia; a sensação no ouvinte é também a harmonia, com esta diferença de que ela é concebida por um e recebida pelo outro. A música é o médium da harmonia; ela a recebe e ela a dá, como o refletor é o médium da luz, como tu és o médium dos Espíritos. Ela a torna mais ou menos deturpada segundo seja mais ou menos executada, como o refletor reenvia mais ou menos bem a luz, segundo ele seja mais ou menos brilhante e polido, como o médium expressa mais ou menos os pensamentos do Espírito, conforme seja ele mais ou menos flexível.


E agora que a harmonia está bem compreendida em seu significado, que se sabe que ela é concebida pela alma e transmitida à alma, compreender-se-á a diferença que há entre a harmonia da Terra e a harmonia do espaço.


Entre vós, tudo é grosseiro: o instrumento de tradução e o instrumento de percepção; entre nós, tudo é sutil: tendes o ar, nós temos o éter; tendes o órgão que obstrui e vela; entre nós, a percepção é direta, e nada a vela. Entre vós, o autor é traduzido: entre nós, ele fala sem intermediário, e na língua que exprime todas as concepções. E, no entanto, essas harmonias têm a mesma fonte, como a luz da lua tem a mesma fonte que a do sol; do mesmo modo que a luz da lua é o reflexo da do sol, a harmonia da Terra não é senão o reflexo da harmonia do espaço.


A harmonia é tão indefinível quanto a felicidade, o medo, a cólera: é um sentimento. Não se a compreende senão quando se a possui, e não se a possui senão quando se a adquire. O homem que é alegre não pode explicar a sua alegria; o que é medroso não pode explicar o seu medo; eles podem dizer os fatos que provocam seus sentimentos, defini-los, descrevê-los, mas os sentimentos permanecem inexplicados. O fato que causa a alegria de um não produzirá nada sobre o outro; o objeto que ocasiona o medo de um
produzirá a coragem do outro. As mesmas causas são seguidas de efeitos contrários; em física isto não existe, em metafísica isto existe. Isto existe porque o sentimento é a propriedade da alma, e que as almas diferem entre si de sensibilidade, de impressionabilidade, de liberdade. A música, que é a causa segunda da harmonia percebida, penetra e transporta um e deixa o outro frio e indiferente. É que o primeiro está em estado de receber a impressão que a harmonia produz, e que o segundo está num
sentido contrário; ouve o ar que vibra, mas não compreende a ideia que lhe traz. Este chega ao tédio e dorme, aquele ao entusiasmo e chora. Evidentemente, o homem que goza as delícias da harmonia é mais elevado, mais depurado do que aquele que ela não pode penetrar; sua alma está mais apta a sentir; ela se desliga mais facilmente, e a harmonia a ajuda a se desligar; ela a transporta e lhe permite ver melhor o mundo moral. De onde é preciso concluir que a música é essencialmente moralizadora, uma vez que
leva a harmonia às almas, e que a harmonia as eleva e as engrandece.


A influência da música sobre a alma, sobre o seu progresso moral, é reconhecida por todo o mundo; mas a razão dessa influência é geralmente ignorada. Sua explicação está inteiramente neste fato: que a harmonia coloca a alma sob a força de um sentimento que a desmaterializa. Esse sentimento existe em um certo grau, mas ele se desenvolve sob a ação de um sentimento similar mais elevado. Aquele que está privado desse sentimento a ele é levado gradativamente; acaba ele também por se deixar penetrar e se deixar arrastar ao mundo ideal, onde ele esquece, por um instante, os grosseiros prazeres que prefere à divina harmonia.


E agora, se se considera que a harmonia sai do concerto do Espírito, disto se deduzirá que se a música exerce uma feliz influência sobre a alma, a alma, que a concebe, exerce também a sua influência sobre a música. A alma virtuosa, que tem a paixão do bem, do belo, do grande, e que a adquiriu da harmonia, produzirá obras-primas capazes de penetrar as almas mais endurecidas e comovê-las. Se o compositor é terra-a-terra, como daria a virtude que desdenha, o belo que ignora e o grande que não
compreende? Suas composições serão os reflexos de seus gostos sensuais, de sua leviandade, de sua negligência. Elas serão ora licenciosas e ora obscenas, ora cômicas e ora burlescas; elas comunicarão aos ouvintes os sentimentos que o exprimirão, e os
perverterão ao invés de melhorá-los.


O Espiritismo, em moralizando os homens, exercerá, pois, uma grande influência sobre a música. Ele produzirá mais compositores virtuosos, que comunicarão suas virtudes fazendo ouvir suas composições.


Rir-se-á menos, chorar-se-á mais; a hilaridade dará lugar à emoção, a fealdade dará lugar à beleza e o cômico à grandeza.


De um outro lado, os ouvintes que o Espiritismo terá dispostos a receberem facilmente a harmonia, sentirão, na audição da música séria, um encanto verdadeiro; eles desdenharão a música frívola e licenciosa que se apodera das massas. Quando o grotesco e o obsceno forem deixados pelo belo e pelo bem, os compositores dessa ordem desaparecerão; porque, sem ouvintes, eles não ganharão nada, e é para ganhar que eles se sujam.



Oh! sim, o Espiritismo terá influência sobre a música! Como poderia sê-lo de outro modo? Seu advento mudará a arte, em depurando-a. Sua fonte é divina, sua força o conduzirá por toda a parte onde houver homens para amar, para se elevar e para
compreender. Tornar-se-á o ideal e o objetivo dos artistas. Pintores, escultores, compositores, poetas pedir-lhe-ão suas inspirações, e ele as fornecerá, porque é rico, porque é inesgotável.


O Espírito do maestro Rossini, numa nova existência, retornará para continuar a arte que ele considera como a primeira de todas; o Espiritismo será o seu símbolo e o inspirador de suas composições.


ROSSINI.