sábado, 7 de julho de 2018

20180707 Desabafo de DIBBA


Dibba em desabafo.

Ei tu, que andas de camiseta vermelha, és da mesma espécie de Napolitano (político ex-presidente da Itália, senador  vitalício), ele que convenceu o Governo a liberar o bombardeamento da Líbia, prelúdio da mais profunda crise migratória da história?


És tu, te reconheço, ajudastes Hillary Clinton, tirastes selfie com ela, mas foi ela quem convenceu Obama a assassinar Kadafi, e não o fez por violações aos direitos humanos, mas para fazer favor ao amigo francês, aquele Sarkozy que recebera milhões de euros do mesmo Kadafi e tinha pavor que isso viesse à tona.


Tu que usas camiseta vermelha, que estivestes ao Governo do pais e nada fizestes para se opor ao Business ignóbil do uso dos migrantes. Nunca fizestes controle daquelas cooperativas que ganhavam milhões deixando à pobre gente apenas migalhas. E  por que nada fizestes? Por serem poucos votos?


Tu com a camiseta vermelha te indignas, te ergues como paladino dos mais fracos, te escandalizas com o Muro do Trump (que
é como os outros muros de Bush pai e filho, de Clinton marido e esposa, e do grande Premio Nobel Obama) mas te calas frente
ao Muro da Cisjordânia.



Hoje usas uma camiseta, mas deverias usar ao menos 100 nos últimos vinte anos, uma por cada uma das causas que fazem fugir
os africanos ou os mexicanos de suas casas. E não te dás conta que és uma dessas causas.



Sabes quando esposas o "politicamente correto" quando a única solução seria gritar; sabes quando permites ainda uma vez a
carnificina. Mesmo que vestida elegantemente com "nobre motivação" ainda assim é carnificina.


Percebes quando, aborrecido de uma existência muito cômoda, organizas uma festinha dentro dos muros da casa alimentando aquele mercado da droga que, do lugar onde estou agora, é a razão/causa da fuga desta pobre gente.



Muitas pessoas de valor usam camisetas vermelhas, mas há um contingente de  pessoas hipócritas que esposaram uma falsa
solidariedade ótimas aliadas do sistema e da reiteração da injustiça.



Quanto conformismo e quanta  vileza se esconde nessa fácil solidariedade. E é esse conformismo que te faz crer estar
fazendo algo de bom, mesmo que na verdade nada estejas fazendo.



Alessandro Di Battista (Movimento Cinco Estrelas da Itália.

Uma das pessoas mais comprometidas com a Vida, com a Família e com a Justiça que eu conheço.

Isto tudo bem cabe ao Brasil também.

P.S.: Pode haver algum erro de tradução, mas creio ter abarcado claramente o sentido do texto de DIBBA.

===

Paulo Cesar Fernandes

07/07/2018

terça-feira, 12 de junho de 2018

20180612 Nova Razão versus Instinto

Nova Razão versus Instinto.



O homem perdeu o Paraiso.


Este, presente nele, foi trocado pelas vitrines; falsas palavras; lutas fraticidas; lutas pelo Poder; lutas ideológicas; jogos de competitividade; etc.


Claro! O suicidio é a saída.


Nem sempre o suicidio ATO, mas o mais grave suicídio.


O SER se suicida. Abre mão de si em favor das "ofertas de beira de estrada..."


_ Imbecil! - grita um fiel amigo.



Mas não! O Homem como ao encanto do "Canto das Sereias" da Odisséia não tampa os ouvidos, de bom grado envereda pelos
atalhos.



E ataca seus semelhantes lhes atribuindo a culpa das suas desditas.



Esquece ter desprezado a luz de uma "Nova Razão". Não a velha Razão de Maio de 68; a "Nova Razão" é nova por ser recente,
apartidária e Veramente Livre.



Quebrou a cara o Homem se afastando a passos largos de sua Essência.



Foda-se então!



Foi burro e egoista. Agora sofre as atrocidades retornantes dos seus atos.



Mas não! Sem desespero!



Sempre é tempo de voar.



Basta deixar ao chão as migalhas caídas da Mesa dos Donos do Mundo.



O Homem pode. Emma ainda não.



Minha cadela se move por instintos.



Paulo Cesar Fernandes

12/06/2018

P.S.: Me desculpo pelo palavrão, sem ele o efeito se perderia.
E escrever é afetar as pessoas no sentido de uma reflexão.
Busco fazer isso com a responsabilidade de quem usa a pena como arma.

domingo, 13 de maio de 2018

20180513 Raça

 
RAÇA
 
 

_ Me dizes branco.


_ Apesar dos densos lábios; deste meu nariz achatado; desta ginga no corpo natural desde menino, e desenvolto nos jogos de Capoeira.


_ Com furor nos olhos me dizes branco.


_ Mas nunca entrastes em minha comunidade morro acima. A maconha por ti consumida em Ipanema e no Leblon te é entregue via "special delivery" por motoqueiros com roupas de grife, iguais às tuas, e muito melhores que as de todos nós em nossa comunidade.


_ Agora sou branco.


_ Mas ao passar por teus burguesitos amigos me sacaneam chamando negro porco e coisas piores.


_ Então agora eu sou branco. Agora, juntos, na porta da mesma Universidade Federal, com mesma pontuação para mesma vaga me chamas de branco.


_ Mas a vida toda até aqui, eu fui o filho da empregada, o "tição inútil", não é assim que no teu bairro me chamavam? O cara que nunca pode estar no mesmo campinho de futebol que voces da
"classe boa"; o suor do meu trabalho diferia em muito de todos voces, sempre limpos e perfumados.


_ Sou branco é?


_ Quase vinte anos de dor para agora, no Portal da Universidade ouvir imbecilidades?


_ Vamos ao teste de DNA!


_ Lutei para caramba para chegar aqui, dessa vaga não abro mão.


_ EU ENTRO NESSA UNIVERSIDADE! ATÉ MAIS VER!




Paulo Cesar Fernandes

10/05/2018.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

20180511 A modo tuo (Luciano Ligabue

A modo tuo
Luciano Ligabue
*
https://youtu.be/8XcgnphhzdI

*
Sarà difficile diventar grande
prima che lo diventi anche tu
Tu che farai tutte quelle domande
io fingerò di saperne di più
sarà difficile
ma sarà come deve essere
metterò via I giochi
proverò a crescere
=
Sarà difficile chiederti scusa
per un mondo che è quel che è
Io nel mio piccolo tento qualcosa
ma cambiarlo è difficile
Sarà difficile
Dire tanti auguri a te
che a ogni compleanno
vai un po’ più via da me
=
A modo tuo
Andrai
A modo tuo
Camminerai e cadrai,
Ti alzerai
Sempre a modo tuo
A modo tuo
=
Sarà difficile vederti da dietro
sulla strada che imboccherai
Tutti I semafori,
tutti I divieti
E le code che eviterai
Sarà difficile
mentre piano ti allontanerai
a cercar da sola quella che sarai
=
A modo tuo
Andrai
A modo tuo
Camminerai e cadrai, ti alzerai
Sempre a modo tuo
A modo tuo
Vedrai
A modo tuo
Dondolerai, salterai, cambierai
Sempre a modo tuo
=
Sarà difficile
lasciarti al mondo
e tenere un pezzetto per me
E nel bel mezzo del tuo girotondo
non poterti proteggere
Sarà difficile
Ma sarà fin troppo semplice
Mentre tu ti giri
E continui a ridere

=
=====  Tradução sujeita a erros.........rs rs rs  Desculpem.
=
Será dificil crescer
Antes que crescas também tu
Tu que farás todas as perguntas
Eu fingirei saber mais
Será dificil
mas será como deve ser
Abandonarei os jogos
Tentarei crescer
*
Será dificil te pedir desculpas
Por um mundo que é o que é
Eu, pequeno, tento algo
Mas mudá-lo é dificil
Te desejar tantas felicidades
Que a cada aniversário
Fica um pouco mais longe de mim.
*
Do teu jeito
Andarás
Do teu jeito
Caminharás e cairás
Te leantarei
Sempre do teu jeito
Do teu jeito.
*
Será dificil verte de costas
Na estrada que entrarás
Todos os semáforos
Todos os desvios
E as companhias que terás
Será dificil
enquanto devagar te distanciarás
para escolher sózinho a que te serve
*
Do teu jeito
Andarás
Do teu jeito
Caminharás e cairás
Te leantarei
Sempre do teu jeito
Do teu jeito.
Verás
Do teu jeito
Cambalearás, saltarás, mudarás
Sempre do teu jeito.
*
Será dificil
soltar-te no mundo
e ter um pouco para mim
E no meio de tuas andanças
não poder te proteger
Será dificil
Mas será fácil ao final
Quando te voltares para mim
Continuando a rir.

*
********************************************
O crescimento é sempre individual.
Mas acredito que um pai tem sempre certa dor em ver a lenta separação e mesmo o crescimento de um filho.

Essa é uma das magias da Vida.

Paulo Cesar Fernandes.
11/05/2018.


sábado, 17 de março de 2018

20180317 Curiosidade de Galícia

Curiosidade de Galícia

Um texto teatral em Gallego.


Non se che faga tarde

(Monólogo para inventar o amor)

 
(Texto íntegro)
 
v2fdeznavalnonsechefagatarde2.html



Os obxectos que ela manexa son grandes e darán a sensación dunha certa pesadez. Ela, vestida de rúa, chega, olla o reloxo, pousa o bolso sobre a mesa ou sobre o banco. Na man trae o teléfono móbil.





Chego tarde... e agora non vou saber se el... (manipula o móbil) chamar non chamou, nin deixou mensaxe... claro que podería estar por aí (coa ollada busca entre o público) pero non creo, non sei se alguén agarda... (dirixíndose a todos os espectadores) non, non creo... é que non había taxi e logo pilloume un atasco, un accidentes deses... un lío... quedei con el ás (quince minutos antes do inicio da función) e chego tarde, esa é a verdade, pero el esperaría...digo eu, claro que, non nos coñecemos, de foto si, pero é diferente... non, non chegou, estou segura, se estivera aí, e eu aquí, ergueríase e falaríame, aínda que fora só por preguntar, por saber se eu... (saca un espello do bolso, peitéase coa man e puntea o carmín dos labios). Amólame que non estea aínda. Non sei como serán os costumes de espera no seu país, pero en ningún lugar resulta elegante facer agardar a unha muller. Nin elegante nin práctico. Ten que haber unha explicación, unha escusa..., será a viaxe, si, seguro que é a viaxe, tería retrasos no voo, nos enlaces, ¡vén de tan lonxe!..., aínda que o retraso tampouco será moito, senón tería chamado, ou el ou Kelemen. Souben del por Kelemen, que é compatriota seu. Kelemen casou con Victoria, unha amiga. Un día ceando en casa deles, Kelemen falou dos amigos que deixara no seu país, amosounos unhas fotografías e eu reparei nel. Pedinlle que me falase del. Kelemen é un seductor e eu deixeime engaiolar polas súas palabras. ¿Falaba do amigo ou de si mesmo?, contaba a historia e era como se xogase, falaba da adolescencia xuntos, de cómo ían brincar entre as vías do tren, dos primeiros bicos entre os muros das fábricas, da música que escoitaban, a escondidas, que o rock and roll lles estaba prohibido. Eu bebía nas súas palabras, nos seus acenos, na nostalxia da amizade perdida, na lembranza daquel con quen compartira a mocidade. Dicía cousas del que a ninguén deixarían indiferente, e menos a unha muller. Victoria semellaba inqueda, advertía a miña atención, sabíame enfeitizada polo contar de Kelemen, por iso eu insistín en preguntar por el, polo amigo, para así romper aquel feitizo e devolverlle a calma. Kelemen díxome que o seu amigo nunca vira o mar. Aquilo emocionoume. Pensar que aínda hoxe pode haber alguén que non sabe como é o mar. O día seguinte merquei a Tempestade de Shakespeare, gravei nunha cinta o balbordo das ondas no mar do Orzán e collín auga con escuma nunha botella de cor azul marina. Fixen un paquete e mandeille todo cunha nota, explicándolle como era que eu vía o mar. Como o vía non, como o vivía, que o mar vívese, como se vive o aire que non se ve, como se vive a luz, que non se toca. Vemos o mar, tocámolo, sabemos do seu sabor, escoitámoslle dicir, sentimos o arrecendo de argazo, pero é máis ca iso, é a sedución que exerce sobre nós, a súa forza, os seus segredos, o seu canto. Non é que a Tempestade transmita exactamente a sensación de mar, pero si do seu poder. ¿Qué lles importa ás ondas o nome dun rei?, dise na obra, pero sobre todo, a Tempestade é unha historia de amor e eu deixeime levar pola miña intuición que me dicía que era ese o libro que debía enviar. Teño unha foto, é a que Kelemen nos amosou aquela noite (saca do bolso a fotografía enmarcada. Nela vese a tres homes de costas, dous volven a cabeza e ollan para o obxectivo, o outro inicia o xesto, pero non chega a se volver de todo). Este é Kelemen, o home de Victoria, este un amigo dos dous e este outro é el. Practica halterofilia e loita libre, por iso se lle ve tan forte. ¡Canto teño mirado esta foto!, penso que de tanto mirala xa sei como é el. Imaxínoo alto, de cabelos dourados, cun corpo que gusta sentir preto porque dá calor, seguridade. As mans han de ser grandes e os rasgos do rostro ben marcados, centroeuropeos, el que é húngaro coma os príncipes. Terá nos ollos a nostalxia fonda dos ciganos e a tristeza dos pobos que sufren... Hoxe é a nosa primeira cita (coloca a fotografía sobre o banco ou sobre a mesa e mira o reloxo). É tarde, xa debería estar aquí (suspira)... Cando recibiu o paquete, escribiume unha carta. Estimada amiga, estoulle moi agradecido polos seus presentes que recibo como proba de amizade..., viña escrita na súa lingua, traducíuma Kelemen. Non era unha carta moi expresiva, pero agradecinlla o mesmo. O de estimada amiga non me gustou nada, pero que sabía eu del, do seu país. Kelemen díxome que, para eles, a expresión era correcta. Contesteille. Dezaoito cuartillas polos dous lados. Escribín unha semana enteira, chegaba a casa e poñíame a escribir. Contáballe canto me sucedía, os problemas e as alegrías do día, os desacougos da noite, os enfados no traballo, traballo nun despacho de avogados. Faláballe tamén das películas que vía, gusto moito das inglesas que mesturan aventuras e amor con fermosas paisaxes e unha paixón contida que finalmente pode con todo. Daquela eu xa fora a que me botaran as cartas e a que me fixeran a carta astral. A cartomante faloume dun cabaleiro de nome extranxeiro que chegaría de lonxe; o astrólogo dun vento que podía quentarme o corazón. Chámase Sándor, o vento; Sándor, o cabaleiro que vén de lonxe. ¡Pronunciei tantas veces o seu nome!. Pola rúa vou repetíndoo: Sándor, Sándor, Sándor, Sándorsándorsándorsán, dorsándorsándorsán, Dorsán, ata que chega un momento no que semella que el está comigo. Dor san coma o amor. Sándor é un nome limpo, que dá seguridade. Significa protección, mirei nun diccionario de nomes. Equivale ó noso Alexandre, o nome do emperador e do meu padriño, por iso pensei que un nome así podería traerme sorte... Dor sán... hai dores que é preciso sentir para sentirnos vivos..., para salvarnos. O meu padriño dicía que eu era unha nena soñadora, capaz de inventar mundos nos que xogar e ser feliz... capaz de inventar mundos. Levábame ó circo, engaiolábame o valor dos domadores, homes rexos, vestidos coas peles animais, con correas de metal e coiro escuro no pulso, sós na gaiola grande entre as feras, gobernando o espanto con látego e con lume. Tería dez anos cando escapei da casa para viaxar cun circo. Escondinme na caravana do domador. Ninguén reparou en min. Mentres viaxabamos el conducía e eu xogaba co seu látego, contemplando as fotografías que enmarcaban o espello rodeado de lámpadas, fotografías que o amosaban entre tigres e leóns que o ollaban submisos, ou dándolle a man a xentes que sorrían con temor na proximidade das feras. Cando descansaban, eu escondiame baixo o leito, parapeitada detrás dunha maleta, escoitándoo dar voltas no reducido espazo da caravana, como fan os tigres na gaiola. Falaba só, nunha lingua escura que eu non comprendía. Imaxino a Sándor coma aquel domador, forte, cos músculos dos ombreiros ben debuxados e unha ollada fonda, se cadra algo triste, coma a dos animais cativos. Dous días viaxei co circo ata que ergueron a carpa noutra cidade. Alí agardábame a policía. Na casa o padriño apertoume chorando. Naqueles dous días os cabelos do meu pai tornáranse brancos... (Olla repetidamente o reloxo e o teléfono. O ton da voz varía, ás veces soñador, outras desacougado)... Vivo soa. Teño algunhas amigas, amais de Victoria, pero abúrrenme. Victora non conta, que casou e logo de casar cámbiase moito, sobre todo se o home é coma Kelemen, tan educado, tan seductor e, ó tempo, tan posesivo. Sándor será igual, eran amigos... As outras amigas sempre están a falar do que ven na televisión, programas que non me gustan e presentadores que non me interesan. Tamén falan de bares que abren e pechan, das cousas que mercan e de homes, sobre todo de homes, pero sempre din o mesmo, semellan homes falando de nós, contan chistes, soñan con ser raptadas por un conductor de camión ou por un motorista, ou con vivir unha aventura co xefe. Só quedo con elas para ir ó cine, porque alí fálase menos. Está Lucía, do traballo, ela si sabe escoitar, pero igual discutimos. Lucía non cre no amor, iso di ela. Na súa opinión o amor é un axuste entre partes, o convenio de dous seres vencidos. Eu non estou de acordo e dígolle que o amor é algo festivo, a ledicia de compartir, saber que hai alguén a quen lle importas... ¿Sábelo por experiencia?, espetoume unha vez. Amolar amoloume, pero non me enfadei. As dúas vivimos soas, vese que hai soidades distintas. O outro día faleille de Sándor e desexoume sorte... (mira o reloxo, colle o móbil, dubida) Pois si que se retrasa... Gústame pasear polo serán ollando o mar. Soa, aínda sabendo que a xente sente curiosidade por min. A xente interésase por cousas que non lle incumben. Preocúpanse de ver a unha muller soa paseando pola beiramar cando o solpor, como se fora suceder algo terrible, cando o certo é que se algo terrible sucedera, ninguén faría nada, todos ficarían alí, ollando o irremediable. Ultimamente procuraba mirar o mar cos ollos del, que nunca o viu. ¿Cómo pode imaxinar o mar alguén que nunca o viu?. ¿Azul?, ¿Longo e fermoso?, ¿Cómo explicarllo?... O mar é unha extensión inmensa de auga que vai máis alá do límite que alcanza a vista... Iso non explica nada. O mar é un movemento constante, un ir e vir de brillos e escumas que cabalgan nas ondas... Tampouco. O mar sabe a salga e no devalo recende tan forte coma a morte... E non comprendería nada. O mar é a vida, e sabe, brúa, recende, salta, anóxase, suspira, canta, o mar espérate azul, extenso coma un labirinto no que se extraviar, escribinlle na carta... non sei se me entendeu... pero contestou. Estimada amiga, dicíame de novo nunha nota breve na que me agradecía de novo os meus galanos e os esforzos que eu facía por lle explicar o que el non coñecía. Para entón eu xa facía todo pensando nel. Por el ía á perruquería ou mercaba unha saia, para el gardaba o catálogo dunha exposición ou escollía un disco. Mandeille un de boleros, indicándolle o meu preferido... era unha provocación, pero xa non podía recuar... o presente é a única esperanza, pensei... "Que no se te haga tarde y te encuentres en la calle, perdida, sin rumbo y en el lodo, si tu me dices ven, lo dejo todo..." (entoa o bolero). Pareceume apropiado, non hai mellor declaración que un bo bolero. (Olla de novo o reloxo)... Vai máis de media hora que debería estar aquí... Eu fixen por chegar algo tarde a propósito, cinco minutiños na máis, calculei, pero logo foi o do accidente...quería que el estivera aquí, agardándome... Pensei que sería romántico... imaxinábame chegando... a xente paseando ou sentada nos bancos e unha música, por exemplo Stranges in the night (canta en inglés o principio da canción) ou o bolero... O da música é algo que sempre cobicei do cine, nas películas sempre hai unha melodía que acompaña os momentos importantes... Chegaría eu, soaría unha música, el estaría sentado, ergueríase en canto me vise e daríame un bico mentres nos ollabamos por primeira vez... Andrómenas miñas, as cousas non sempre son como as soñamos... De nena eu soñaba con ter fillos, supoño que como todas as nenas... Tería tres, dous varóns e unha muller, para con eles inventar o futuro. Quería unha nena por aquilo que din de que elas son garantía na vellez dos pais, que as mulleres sempre quedan preto... parvadas... non sempre é así, pero non é iso o peor, o que doe é que os soños non sempre se cumpren... ¿Por qué resulta tan difícil ser feliz? ... Se estivera nun bar pediría unha copiña de licor café, é moi vicioso, pero encántame... Tamén el mandou un galano. O galano nunca chegou, a caixa si, téñoa aquí (do bolso saca unha caixa de cartón, alongada e decorada con flores, ábrea amosándoa baleira). Kelemen, o home da miña amiga di que no seu país é frecuente que rouben o contido dos paquetes na alfándega. O funcionario que me tocou a min era ben coidadoso, ninguén diría que o paquete fora profanado. Pero a caixa viña baleira. Moito cismei imaxinando o que el metera dentro. Pensei que para elixir unha caixa tan fermosa, debe ser un home de bo gusto, delicado, un home que entra decidido na tenda, que non dubida á hora de elixir, que sabe obsequiar a unha muller, aínda que logo sexa apoucado ó expresar os seus sentimentos. Como Kelemen, dame que se parecen, aínda que Kelemen de apoucado ten pouco. Kelemen é astuto, non dá puntada sen fío... Sándor é máis sinxelo, vai ó que vai... Quizais a caixa contiña un pano de seda, cun fermoso estampado oriental de flores e paxaros, ou unha pluma de trazo fino, que son as que me gustan, ou un frasco de colonia, de recendo fresco coma o día, un broche de lapela, acaso de ámbar, unha rosa seca ou un poema de amor... Contesteille dicindo que era precioso o galano e que lle estaba agradecida... Agradecíalle a intención, o ter pensado en min mentres o mercaba..., en realidade, o baleiro da caixa significábao todo, esta caixa sen obxecto traía dentro o seu espirito... (deixa a caixa á beira da fotografía) ... Veces hai nas que penso que nada de todo canto me sucedeu neste meses é certo, que Sándor non existe, que nun lugar descoñecido alguén xoga comigo, que me engano, que ningunha destas probas (sinala os obxectos) ten máis significado que o baleiro dos propios obxectos... "que no se te haga tarde y te encuentres en la calle" ... (olla de novo o reloxo) Podería chamar a Kelemen por saber se vén retrasado ou se non veu... pero mellor espero, que non se me note o ansia... Foi Kelemen, o home de Victoria quen me dixo que viña. ¿Por qué anunciarllo a el e non a min? ¿por seren amigos?, ás veces complicamos tanto as cousas... Chegaba hoxe pola tarde e quedei aquí con el... Foi cousa de Kelemen que eu non o fora recibir ó aeroporto. É mellor administrarlle as emocións, dixo. Eu prefería ir. As estacións e os aeroportos son lugares de encontro, de despedida tamén, pero sobre todo de encontro, pero aceptei. Kelemen é o seu amigo, coñéceo ben, terían cousas que se dicir. Querería falarlle de min, de cómo son, de cómo somos (sinala ó público)... Daríalle ben o recado, supoño que non me estará agardando noutro lugar, non creo, non hai outro lugar con este nome... Pedinlle a Kelemen que non o acompañara. Quería atoparme a soas con el, mirarme nos seus ollos, ser a única intérprete da súa primeira reacción cando se vira diante miña... Hai tres semanas escribiume unha carta de amor. En realidade a carta non a escribiu el, contratou un escribán que transcribise e dera xeito ós seus sentimentos (saca do bolso un sobre cunha carta escrita a man en papel coma de seda). Estimada amiga Olga, ... —¡por fin o meu nome na súa boca!—, compráceme escribirlle unha carta como esta... Ás veces sinto o temor de ser imprudente... —algo apocuado si parece—... pero teño mágoa de non poder vela, de non escoitar a súa voz, hoxe debo conformarme con imaxinar o momento no que esta carta chegue ás súas mans. Non podo dicir que nos coñezamos moito, pero si o suficiente como para que vostede teña espertado en min o maior dos intereses, —isto emocionoume, e tamén o que segue— Se debo ser sinceiro, penso en vostede moito máis do que podería imaxinar —se cadra todo o que viviu ata agora foron desenganos— gústame o seu sorriso, a imaxe do seu pelo alborotado, a forma dos seus labios... —Eu mandáralle unha foto miña, moi informal, na que aparecía cun vestido curto, de praia, e o pelo alborotado. Era unha foto na que eu me gustaba, feita por Laura o verán pasado, eu e o mar, os dous descoñecidos para el, os dous agardándoo— ... Dame a sensación, —continuaba— de que todo o que se relaciona coa súa persoa é bo, positivo, agradable. Sinto tamén que vostede podería facer de min o ser máis feliz, soño ás veces que somos dúas almas xemelgas que toda a vida estiveron buscándose. Non chega o día no que poida viaxar ó seu país para coñecela... —non lle chegaba o día pero deseguida resolveu, e sen me dicir nada— Mentres, confórmome con lle enviar o meu respecto e afecto, mostra da miña máxima consideración. S. A sinatura é un S (amosa a carta co S ó final, logo garda a carta no sobre e colócaa xunto as outras cousas)... Sei que non foi o seu pulso quen escribiu, a carta pero teño o convencemento de que as palabras si foron dictadas por el. Porén, non comprendo o retraso..., non tería un accidente, un desencontro con Kelemen, non se terá asustado de min... (olla de novo o reloxo, recolle o marco da foto, a caixa e o sobre coa carta e garda todo no bolso. Soa o teléfono no interior do bolso. Saca todo o que viña de gardar. Colle o teléfono, preme un botón)... ¿Si?... ¿diga?... ¿si?... non contesta ninguén (mira o aparello)... claro, non é unha chamada, é unha mensaxe... (manipula os botóns) o teléfono que chamou é o de Kelemen... aquí está... (le) ¡Xa vai!... Kelemen (mira ó público)... ¡xa vén! ...¿Sándor?... ¡Quen me dera unha copiña de licor e un pouquiño de música...!


===


Mas onde fica a Galícia?

Pedaço de que pais afinal?

Bordeja com qual outro pais?

Paulo Cesar Fernandes

17/03/2018.

sábado, 10 de março de 2018

20180308 Não Mulher

Não Mulher!
 
 


Não é hoje teu dia.


Teu dia é aquele em que admoestas teu filho por algo de arrado fazer, e passado um tempo, chegas perto dele e lhe dizes do teu amor num abraço sem mágoas.


Teu dia é aquele em que te jogas nas ruas, só para lutar por dias novos para teu pais, para teu estado ou para tua cidade. Pois sem a tua voz nada pode ocorrer, tu sabes disso muito bem. E lutas!


Teu dia é aquele em que, olhando a todos do teu LAR nos olhos, lhes dizes o quanto os amas.


Também é teu dia Mulher, quando sentas ao lado da tua filha lhe dizendo carinhosamente como é ser mulher. Mas Mulher mesmo. Falando de cada fase do crescimento.


É teu dia ainda, aquele na qual sentas ao lado da filha ou do filho e os acompanhas nos deveres escolares, ensinando ou deles aprendendo algumas coisas. Muitas vezes nossos filhos sabem mais que nós. E aprendemos com eles.


Teu dia, minha querida MULHER, é aquele quando o trabalho te massacrou com mil tarefas; e, ao chegar em casa, entras com um grande sorriso de Vencedora. Unindo o LAR apesar de toda a canseira.


Heroína minha, MULHER, em tuas mãos repousa o Futuro da História e a História do Futuro.


OBRIGADO DESDE HOJE!


CONFIO EM TI!



Paulo Cesar Fernandes.

08/03/2018.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

20180222 Q tempo é esse meu irmão

Q tempo é esse meu irmão?
 

Sou do tempo do bonde.
Vi carro de boi.
Sou do tempo do rio
Nas águas do remanso...




Eu sou do tempo do rádio
E dele inda gosto
Não me amarra os olhos
É evidente meu gostar
Permite o radio meu trabalho
No preparo dos alimentos




Sou do tempo sereno
Passando preguiçoso nos quintais
Batidos de lascivo sol




Que tempo é esse?
Se sou incapaz da velocidade
E se for veloz...
ZAP!
Passa por mim
E nada vejo.




Mas deve ser desimportante
O importante é sempre sereno
E pede tempo para nos tomar
Como toda a iniciação
É calma, serena demais
E leva nosso tempo
Assim como deve ser.




Eu sou do tempo dos bondes.
Que mais poderia dizer?





Paulo Cesar Fernandes

22/02/2018