quinta-feira, 12 de outubro de 2017

20171012 Manuel Scorza América, no puedo escribir tu nombre sin morirme...



América, no puedo escribir tu nombre sin morirme...
.....................................(Manuel Scorza


América,
no puedo escribir tu nombre sin morirme.
Aunque aprendí de niño,
no me salen derechos los renglones;
a cada sílaba tropiezo con cadáveres,
detrás de cada letra encuentro un hombre ardiendo,
y no puedo ni cerrar la a
porque alguien grita como si se quedara dentro.



Vengo del Odio,
vengo del salto mortal de los balazos;
está mi corazón sudando pumas:
sólo oigo el zumbido de la pena.



Yo atravesé negras gargantas,
crucé calles de pobreza,
América, te conozco,
yo mismo tendí la cama
donde expiró mi vida vacía.



Yo tenía dieciocho años
yo vivía
en un pueblo pequeño,
oyendo el diálogo de musgo de las tardes,
pero pasó mi patria cojeando,
los ahogados empezaron a pedir más agua,
salían de mi boca escarabajos.
Sordo, oscuro, batracio, desterrado,
¡era yo quien humeaba en las cocinas!



¡Amargas tierras,
patrias de ceniza,
no me entra el corazón en traje de paloma!
¡Cuando veo la cara de este pueblo
hasta la vida me queda grande!



¡Pobre América!
En vano los poetas
deshojan ruiseñores.
No verán tu rostro mientras no se atrevan
a llamarte por tu nombre, ¡América mendiga,
América de los encarcelados,
América de los perseguidos,
América de los parientes pobres!
¡Nadie te verá si no deshacen
este nudo que tengo en la garganta!


                              (De Las imprecaciones, 1955

20171010 Luz no dia

Luz no dia


O vento bateu no meu dia de hoje. De alguma forma transformado em poesia.


E nada de grandioso se fez presente. 


A mesma simples vida, desfeita de todas as ilusões.


Mesmo café, almoço, andar pela Carvalho, pelo Gonzaga. Tudo normal, até mesmo banal.


O mesmo, mas tão diverso. Havia a cada momento uma dose de gratidão e produtividade.


Repito. Nada de grandioso, digno dos jornais; fogos ou outras bobagens.


É nesse fluir da vida diária onde a Felicidade se apresenta.


Esse incógnito viver, mesmo quando escrevo e publico, são publicações incógnitas. Sou sem nome. Sou sem luz. Sem um único saco puxado por toda uma vida, visando benesses. Sincero no elogio e na desvalia.


Angario mais inimigos que admiradores. Mas prefiro inimigos sinceros a um só adulador.


Este dia corrido suave. Produtivo na sua singeleza, na sua santidade por certo se religioso fosse eu.


Doce dia que finda.


Com as Taças de Cristal da Literatura Universal.


Dias como este: pequenos hiatos de luz na longa caminhada. São mágicos.


Gracias a la Vida!


Salve Violeta Parra!


Paulo Cesar Fernandes.

10/10/2017.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

20171004 Diretriz

Diretriz.


Dizem os homens que pensam: o Ser Humano é composto de um conjunto incomensurável de paixões.


E eu tendo a concordar com os pensadores. Somos sim, compostos de paixões de todos os tipos.


Porém, ao lado desse painel grandioso de paixões, temos a Razão; e junto dela a Liberdade de Escolha, ou Livre Arbítrio (para usar um termo muito a gosto dos espíritas).


A posse dessas duas ferramentas, por si só, nos permitem definir a nossa trajetória sobre a face da terra.


Mas antes, muito antes de partir para o uso de tais ferramentas, devemos ter feito uma escolha. Difícil escolha interior, a saber: Vou viver pautado por princípios éticos e racionalmente impor limites aos reclamos das pulsões; dos desejos e de toda espécie de facilidades capazes de me trazer materiais vantagens? Ou, vou abafar os reclamos da consciência, e me permitir cair na gandaia em tudo, sem a menor preocupação com nada além do meu prazer e das minhas pessoais vantagens?



E parece incrível, mas em toda a nossa vida, desde os bancos escolares vamos nos defrontar com momentos em que essas questões estarão fortemente em pauta.


Uma prova de matemática, a terceira questão pede para demonstrar uma das qualidades do triângulo retângulo. Exatamente a aula em que não pudemos estar presente pois o trânsito na cidade estava insuportável naquela manhã.



Eu sei, meu colega da frente me ajudaria, se eu pedisse, se postando na cadeira de forma mais "amigável" digamos. Peço ou não?


Quando eu, por livre decisão interior, escolher deixar em branco o espaço da questão, Não por causa do medo da professora, não por causa de nada exterior a mim. Mas escolher não responder à questão, por achar isso indigno da minha escolha de vida. Neste momento eu estarei sendo coerente com a minha escolha maior da vida: a Ética.


Muitas oportunidades serão perdidas por ter feito essa escolha. Oportunidades de emprego. 
Oportunidades de ganhos incomensuráveis. 

Oportunidade de transar com aquela mulher sensacional do Departamento de Compras que, no elevador, estando apenas os dois, disse estar se separando do marido e precisando conversar com alguém. Você ouve. Compreende perfeitamente o sentido da coisa, e lembra dos seus filhos em casa. E decide:



_ Puxa! Para momentos difíceis como esse, eu tenho uma solução genial. A minha terapeuta trabalha com terapia breve, e poderá lhe atender perfeitamente. Estou seguro. Ambas terão prazer em conhecer uma a outra.


Venceram os princípios; os valores; a escolha; muitas vezes feita em tenra idade.



_ Não. Nessa eu não vou junto com vocês meus caros amigos. Não é, não, não é mesmo a minha praia. Numa outra atividade estaremos juntos como sempre, e seguimos amigos da mesma forma, assim espero.



Os amigos vão, fazer seja lá o que seja, e você passa a noite de sexta-feira só. Mas com uma sensação de Vitória incapaz de ser aqui descrita.


Você já percebeu, né?
A Vida com "V" em caixa alta é assim.
Sendo fiel às escolhas, sendo fiel a si mesmo.
Isso é ser verdadeiramente autêntico!



Paz nos corações!


Paulo Cesar Fernandes
04/10/2017.

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

20171001 Desafio

20171001 Desafio


_ Sou pequeno. Diminuto na verdade. Um verdadeiro nada.

_ ...

_ Por cima de mim passa a água; passam pés descalços; passam pés calçados.

_ ...

_ Sou o nada que a água maltrata, fazendo de mim gato e sapato.

_ ...

_ Até o dia em que me vejo finalmente seco. Mas outro tormento tem início nesse preciso momento. É o vento agora o algoz. Algoz atroz. Pois se vale de meu diminuto tamanho e falta de força para me impor sua soberana vontade. E lá vou eu empurrado para o vão da calçada; numa outra lufada me faz mudar de lugar; assim vai, brincando comigo e minha pequenez. Mudando meu lugar de forma tirana.

_ ...

_ Sou mesmo um nada!

_ ...

_ Ninguém me nota; ninguém me valoriza; vivo de déu em déu. Ninguém deposita sua atenção em mim, nem busca saber do meu modo de servir. Nem tu. Sim, tu na leitura deste texto. Pusestes algum dia teu olhar e toda tua atenção no ínfimo grão de areia desta tua Cidade de Santos?

_ ...

_ Eu bem sabia! Vês? Não existo enquanto unidade ou individualidade. Estou fadado a ser um nada, componente de um todo maior: castelo de areia; monte de areia ou dunas; parte da praia; um nada dissolto na coletividade.

_ Mas... Que queres te diga eu? - lhe disse.

_ Não me faças rir. Pensa tu. Que és? São muito maiores os vetores a comandar tua vida. Muito maiores, mais fortes e inumeráveis. O que és afinal? Pensa. 

Um silêncio dolorido me tomou. E o grão prosseguiu:

_ Por acaso te achas diferente de mim? És um iludido!


Paulo Cesar Fernandes.

01/10/2017.

terça-feira, 12 de setembro de 2017

20170910 Carta ao poeta Paco Cutumay


Não mais na tua San Salvador irmão meu?
A bala ofendeu teu corpo
Pai e Mãe se foram de semelhantes balas
Balas covardes.


O mesmo ódio dos gorilas sacou aí, em tua nobre terra, centenas de vidas.
E como isto me dói aqui, na minha pobre terra.
São muitos os teus assemelhados a Oscar Romero.
Sem nome, sem cova, sem nada capaz de dizer de sua nobre vida.
A vida de Luta pela Vida.


A Paz hoje sacramentada é de ilusão construida.
Aí vão os "Maras"; as "Pandilhas" tantas; e os trens cruzando as terras rumo às fronteiras.


Não irmão meu. Foi tudo uma ilusão.
Nossa América Latina segue sendo roubada; segue colonial; saqueada; e o pior: segue sem democracia de verdade. Onde o povo fale e possa dizer do seu querer.


As carcomidas elites seguem no comando em todos os países, e a Venezuela teve o azar de ter petróleo. A água da sede dos gorilas. Pobre povo o latino-americano. Sempre à merce de gorilas de todos os tipos e quadrantes da terra.


E hoje, o Neo Liberalismo é a praga a nos roubar mais profundamente a Liberdade.
Liberdade Real, Vontade Popular. 
E sem Povo Livre não se pode chamar Democracia.


Democracia Real e Efetiva, bem o sabes meu irmão é aquela onde nós, o povo, dizemos com todas as letras NÃO às oligarquias seculares dos nossos países, os colocando em seu devido lugar: FORA DO PODER.


Meu Brasil, caro irmão
Sofre longa Ditadura Neo Liberal.

Pobre. Tropego. Nem mais o Carnaval anima.
Mas seguimos muitos pela JUSTIÇA lutando; pois, como disse nosso irmão e poeta Taiguara:
"A vida é LUTA!".


Guarda um lugar para mim, para juntos fazer algo.
Até breve, meu poeta, músico e amigo.


Paulo Cesar Fernandes

10/09/2017.


Nota.: 

Paco Cutumay foi um amigo poeta, músico, componente do Grupo Cutumay Camones de El Salvador. 
Tivemos a alegria de os hospedar e ciceronear em sua passagem pela Cidade de São Paulo.  

Na Avenida Paulista, foram muitos os momentos de riso, pelas tiradas alegres do grupo, principalmente tendo como foco a beleza da mulher paulistana. Também lhes trouxe impacto a arquitetura da cidade.

Possam Paco, seus pais e Edoardo estar num lugar muito bom do lado de lá da vida.

domingo, 10 de setembro de 2017

20170609 Hamburgo

Sonhei estar em Hamburgo
No cais da cidade
Entre luzes de casas noturnas
ZANZIBAR me chama atenção
Mais ainda
As meninas de vida veloz
Me chamam na minha língua
E com sotaque santissssta


Um sonho estranho e belo
Pois o medo não se fazia
E estava eu no meio 
Da Zona Portuária
Com todo respeito
De cada uma das pessoas


Me vejo todo risos
Por estar de volta
Ao tempo da molecagem
Na Zona Portuária de Santos
Voltava ver de alguma forma 
Os femininos corpos
Mulheres e travestis
Numa distante Alemanha
Ou num distante tempo


Numa Santos do passadfo.
Num Brasil não violento.



Paulo Cesar Fernandes.

09/06/2017.

20170830 Positividade da Esperança

A linha sutil
Entre ilusão e sonho
A mesma linha
A dividir homens
Pragmáticos materialistas
Sonhadores idealistas


Onde se situa afinal
A tal da ilusão?
Respondo num ZAZ:
Na Materialidade
Pois o perene fica sempre
Na abstração
Na interior espiritualidade


A linha se concretiza
Dividindo o mundo
Materialistas de um lado
E Espiritualistas emergentes
E ganhando firmes
O espaço nesta Terra


Não mais se esconde
A verdade do espírito
A interior luminosidade
Pode se alçar livre
Pelas trevas do mundo
Mudando aqui e acolá
Até a Vitória Final.


Paulo Cesar Fernandes

30/08/2017.