sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Santos e liquidez do presente

A transitoriedade de tudo é uma das caracteristicas dos "Tempos Líquidos" enquanto a permanência caracterizavam os "Tempos Sólidos ou Duros".
Nada é. Todas as coisas tem um prazo de validade. Roupas, celulares, carros, motos, e infelizmente relações humanas.
Não é uma descoberta minha, mas um fato ao qual não posso deixar de concordar.
Tudo se passa como um punhado de areia fina que tenhamos nas mãos num dia de muito vento na praia de Santos..
O certo é que nos restarão apenas alguns grãos, mas se abrirmos as mãos mesmo eles nos deixarão.
"Que não seja imortal, posto que é chama.
Mas que seja infinito enquanto dure..."
Que cada grão que nos deixe leve consigo a própria imortalidade e tenha pela frente uma felicidade infinita, carregando de nós apenas doces lembranças. Pedaços de amor/vida que tivemos em comunhão.
Fim de tarde em Santos.... a cidade silencia pouco a pouco.
As aves se aquietam nos ninhos.
Prenúncio de uma noite de harmonia e tranquilidade.
Santos, sempre Santos, a trazer algo de bom...
N.B.: As expressões podem e devem ter leituras transversais e múltiplas. É isto que dá ao poema, ao texto, a maleabilidade criativa e certa pitada de irreverência.

Paulo Cesar Fernandes
22/12/2011

INCLUSÃO

Ontem na TV do SESC uma moça de teatro fez questionamentos no que diz respeito à Inclusão.
Veja bem:
Incluir aonde? Na sociedade de consumo? Para que? Valeria a pena?
Eu vou adiante dizendo que é melhor que nada, mas...
Esses projetos de inclusão, que recebem verbas substanciais dos governos, incluem alguem no universo letrado? Com isto quero dizer, faz com que essas pessoas tenham capacidade de leitura de textos, interpretando-os condignamente?
Tal inclusão permite às pessoas o senso crítico necessário a uma análise mais acurada da sociedade em que vivemos? Ou acabam sendo seres cooptados por todo um sistema de falso progresso?
Será que para fazer parte dessas ONG's não tem que ser um bichinho domesticado que "faz tudo o que o Senhor Rei mandar", calando-se às falcatruas? Voce aposta na lisura de todas? Eu não, que não sou mais um besta.
Será que o acesso à Internet, sem a necessária orientação não é mais um brinquedinho a iludir a população? Uma ferramenta só é útil quando bem usada, quando usada por quem lhe conheça as propriedades.
Servem para algo os cursos e mais cursos voltados para a formação de professores? Quantos e quantos anos se fazem estes cursos? E a Educação segue sendo classificada entre as piores do mundo. Disto concluo a incompetência de todos os que se dedicam a isso? Não. Mas que todo esse esforço tem que estar nas salas de aula. Esses teóricos tem que voltar e sentar junto dos professores que ingressam no magistério, somando-se o tesão da juventude à experiência/vivência dos teóricos.
Vejo na Federalização da Educação proposta por Cristovão Buarque uma alternativa, viva e viável.
Tenho certeza que nenhum dos "mamadores" gostam da idéia. Por óbvios motivos.
Agora atente voce a isto:
Será que sob a mangueira, Paulo Freire não era mais inclusivo que toda essa parafernália de gente mamando nas tetas dos diversos níveis governamentais?

Ontem, ouvindo a menina, nova ainda, e trazendo acúmulo de discussões com seu grupo de teatro, algo me saltou diante dos olhos: todos querem um lugarzinho ao sol, mas poucos são os que arregaçam as mangas, e se colocam verdadeiramente no trabalho em prol da construção do conhecimento, tendo no aluno o foco maior de seu trabalho. Fazendo dele um sedento do saber.
FINALIZANDO:
Incluir é injetar na pessoa o virus do Tesão pelo Conhecimento.
Paulo Cesar Fernandes
28/09/2011

Espaço propaganda

Admito com todas as letras que isto é uma propaganda.
Não há como esconder. Discípulo dileto do Professor Paulo Freire, de saudosa lembrança, Mario Sergio Cortella escreveu um livro voltado para pessoas que estão em cargos de comando de equipes, seja no âmbito profissional, seja em qualquer outra instituição onde uma hierarquia seja necessária.
"Qual é a tua obra?" dá vontade que não mais acabe, mesmo que voce não seja chefe ou coordenador de nada. O danado do Cortella escreve bem demais, e nos dá a nítida impressão de o estar ouvindo falar, com aquela sua barriga algo avantajada, que lhe permite cruzar os dedos de ambas as mãos sobre ela numa simpática atitude.
Professor de Filosofia e Teologia da PUC-SP se uniu ao Professor do Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo para a escritura de outra grande obra "Labirintos da Moral" altamente recomendável nestes tempos de Modernidade Líquida.
Ao inicio de cada capítulo traz o livro uma frase condizente com o assunto do capítulo, mas a frase em si já se basta.  Veja:
» "Enxergar um sgnificado maior na vida aproxima o tema da espiritualidade do mundo do trabalho".
» "A idéia de trabalho como castigo precisa ser substituida pelo conceito  de realizar uma obra."
» "Reconhecer o desconhecimento sobre certas coisas é sinal de inteligência e um passo decisivo para a mudança."
» "A busca da excelência exige ação. Mas sem cautela imobilizadora nem ímpeto inconsequente."
» "Busque satisfazer a obra, a equipe, mas não fique satisfeito. A satisfação paralisa, adormece, entorpece."
» "Integridade é o princípio ético para não apequenar a vida, que já é curta."
Basta!
Um livro ótimo para: filas de banco; salas de espera de profissionais liberais; ou qualquer outro lugar onde nossa paciência termine, e nos vejamos a bater os pés de pura ansiedade.
Fale:
Fernandes, Paulo Cesar (Keine Grenze

Distraido

Tive necessidade de cópias autenticadas para envio ao meu contador.
No meio do caminho me dei conta que tais documentos estavam em casa, os esquecera simplesmente. Respirei fundo e fiz meia volta.
Peguei os documentos e tudo transcorreu normalmente.
No meio da tarde quando narrava o fato ao pintor no café das quinze horas me recordei de D. Adélia.
D. Adélia era uma dessas pessoas boas, querida pela vizinhança toda. Contam seus familiares que um pedaço de pano não passava despercebido de D. Adélia. Mede que mede, molde por cima e lá saia uma blusinha. Mede que mede, molode por cima e lá saía um shortinho.
Contam que muitas vezes ao findar alguma peça, D. Adélia a levantava no ar se perguntando:
_ Qual o corpinho que esta camisinha vai abrigar? - e o sorriso era largo.
Como todos nós D. Adélia tinha uma característica marcante: seu desligamento.
Correu na vizinhança que certa manhã D. Adélia já havia pego a carteira para ir ao açougue ao que suas filhas pedem:
_ Aproveite e deixe fora o lixo que logo  o lixeiro deve passar.
Assim foi feito.
Na porta do açougue o açougueiro, um desses homens gorduchos e de bom humor invariavelmente pergunta:
_ Tudo bem D. Adélia?
_ Sim, graças a Deus tudo bem. - respondeu ela bem humorada.
_ Mas então me diga o que faz a senhora com essa lata de lixo nas mãos? Aonde vai levá-la.
O riso foi geral entre todos os que partilharam a cena.
Sei dizer que D. Adélia voltou para casa com a carne que era seu objetivo maior, com uma lata de lixo a ser colocada em seu devido lugar, e um tanto quanto envergonhada.
Mas quem de nós um momento ou outro não tem lá seu momento de desligamento, desatenção?
Fale: pcfernandes1951@bol.com.br
Fernandes, Paulo Cesar (Keine Grenze

O Clown

Acabo de receber um e-mail de uma amiga que foi ao Chile.
Me mandou fotos do Palácio La Moneda; do busto de Salvador Allende e dela com a cara mais feliz do mundo e cheia de neve.
Se algo sei de Contabilização de Câmbio na Área Bancária devo a esta amiga.
Trabalhavamos para o Sudameris quando derrubaram as torres lá dos Yankees.
Éramos escravos do trabalho, mas também nos divertiamos muito.
Ela sempre meio brava, querendo tudo certinho e eu o Clown.
Em momentos difíceis, de crise, é imperioso que alguém faça o papel do clown, palhaço desmontando a tensão do ambiente.
Nas reuniões mais tensas diante da Diretoria de Câmbio Sudameris era preciso antes da reunião muita bobagem ou resgatar momentos bonitos da infância e juventude.
É inesquecível um dia em que no horário de almoço uma casa  tinha Primaveras Floridas; isto, fez brotar em minha amiga as lembranças do avo no Rio Grande do Sul a cultivar suas flores.
Penso ter sido um dos momentos mais bonitos de nossa convivência.
Lembranças, carregadas de carinho pelo avo, já denotava naquela ocasião uma familia estruturada no afeto entre seus componentes.
Típico dos gauchos todos!
Povo adorável!
Música tocante! ...e tradições.

Fale: pcfernandes1951@bol.com.br
Fernandes, Paulo Cesar (Keine Grenze

Questão da fé

"Fé na vida
Fé no Homem
Fé no que virá..."
                  Gonzaguinha
Esta é a fé que prefiro nos momentos difíceis. Momentos difíceis como quando alguém que amamos de nossa família é hospitalizado.
Respeito todas as crenças, mas....
Tenho fé é na vida. Tenho fé é no Homem, médico competente que possa compreender o que se passa nesse organismo cujo espirito só foi servir aos seus mais próximos.
Fé no que virá pois há de vir o melhor para todos. A alegria de compartilhar muitos e muitos jogos do Santos F C nosso time. De abraços de incentivo nos dias de minha tristeza.
Fé na vida digna que sempre teve este homem que todos da familia amamos e admiramos, pois cargos de responsabilidade e recursos passaram em suas mãos e jamais teve nada além do que percebia como funcionário da empresa.
Fé na honra, na dignidade e na ética.
Meu querido, tu e todos nós da tua familia, passaremos por esta tempestade, como já passamos por tantas outras que já estiveram presentes em nossa caminhada.
Ser teu cunhado é uma das maiores honras que glorificam minha atual existência terrestre.
Tenho certeza: o próximo jogo do Peixe assistiremos juntos na arquibancada da tua sala.
PC

Nota:
Este post foi escrito ao longo do período de doença de meu querido cunhado. Ainda havia em mim a esperança. Via a possibilidade. Mas a vida quis de forma diferente. Contra ela não há o que fazer.

VendePátria (Termo nicaraguense

VendePátria (Termo nicaraguense 
Vende pátria é todo latinoamericano que assume para si a cultura e os valores norteamericanos.
Essa expressão é muito usada na América Central onde a United Fruit possuia imensas glebas de terra e colocava no poder o ditador que melhor lhe aprouvesse.
Massacres e escravização de populações inteiras eram comuns, a ponto de serem tidas como normais.
Isso é só para lembrar que o Universo é Perfeito. A Terra também seria se o homem não fosse tão imperfeito, violento e torpe. Mas...
Fé na Vida, Fé no Homem, Fé no que virá... a pois tá certo Gonzaguinha.
Tenho coisas adoráveis de Luis Enrique Mejia Godoy um musico, pintor, escritor, poeta da Nicaragua, minha querida Nicaragua. De cabelos longos e brancos, penteados para trás como os meus quando estãp da maneira que amo, somos perecidos fisicamente, lógico ele uma alma mais sensivel e liberta. Suas músicas são mais poéticas que as do seu irmão Carlos Mejia Godoy este mais revolucionário, politizado foi candidato como vice pelo partido MRS Movimiento de Renovacion Sandinista contra Daniel Ortega atual Presidente. Se lá vivesse estaria militando no MRS que abriga poetas como Ernesto Cardenal e outros tantos.
Existe a Fundacion Mejia Godoy que é o local de expressão de toda a familia. Os demais irmãos também tem dotes artisticos. Os povos da Nicarágua, El Salvador e Guatemala tem os mesmos laços de amor que Eu, minha irmã Arminda e minha irmã Marlene nutrimos entre nós. Destinos que seguem paralelos mas fortemente atados pelos laços do coração.
Que Viva Nicaragua Libre!!!!!
No Pasaran!!!
Eram os brados de garra e de fibra quando havia a ameaça dos norteamericanos invadirem com os Marines o território Nicaraguense. Usavam de mercenários que vindos de Honduras durante a noite, destruiam toda a produção agricola do norte do país. Canalhas matavam crianças de 12 a 16 anos que era o efetivo ainda disponível para a defesa da economia do pais. Nosso reporter Caco Barcelos documentou essa barbárie num livro.
Quando digo Yankees o tenho por um termo pejorativo, de um povo assassino, e sonho ver esse povo pagar por cada poeta que matou, em Guatemala, El Salvador e Nicaragua estou pleno de razão. Tive em minhas mão um livro artesanal de poemas de amor dos novos poetas Nicaraguenses. Em cada poema, com maior ou menor intensidade se apresentava a defesa do país, a Revolução como algo que a qualquer momento poderia por fim no fervor da sexualidade de um amor adolescente e febril. A cada poeta nicaraguense assassinado pelo Governo dos Estados Unidos o meu mais profundo pesar.
Poeta. Me escuta. Tua vida será vingada, dignamente vingada como tem que ser. Este não é um clamor ao ódio, mas, muito mais profundo que isso, é a "Sede de Justiça" propagada por Jesus de Nazaré em sua vida terrena.
Perdoem todos. Mas que cada vida de um latinoamericano que tenha sido tirada pelo Governo dos Estados Unidos da América seja paga com a vida de um autêntico cidadão americano. Civil e não militar, pois os mortos latinoamericanos eram civis, homens comuns "del pueblo" que por pensar o que pensavam eram friamente assassinados diante de mulher e filhos, isto quando não era a familia toda exterminada. Que a Justiça se faça em todo seu equilíbrio. Vida por vida. Civil por civil. Os Yankees merecem.
Pela honra de todos os povos latinoamericanos.
Jamas olvidar!!!!
Fernandes, Paulo Cesar (Keine Grenze